A Bem da Nação

Meus amigos, cá estou hoje mais uma vez com mais um artigo de escárnio e mal-dizer. Cristo disse certa vez aos seus Apóstolos que o que sai da boca de um homem é o que lhe vai no coração, mas muitas vezes somos obrigados a escrever sobre o que não nos vai nos bolsos, dinheiro. Não é que o dinheiro nos traga a felicidade, mas a quem tem dois dedinhos de testa, pode ajudar e muito. Que nos diga o Governador do Banco de Portugal, quenado prega com regularidade insistente que é imperativo apertar o cinto para manter Portugal competitivo e para equilibrar as finanças. Sempre me delicio com discursos de gente trabalhadora que pede aos outros para pouparem, ou dizem que os salários têm de se manter baixos para assegurar a competitividade nacional, quando esses mesmos senhores nos dão o exemplo que dão. Será que li mal há uns tempos atrás quando li que o Governador do Banco de Portugal ganha o triplo do Governador do Banco dos Estados Unidos? Que pena não ter guardado tão ilustre artigo. Não faço ideia se esse artigo era isento, mas se era…

Podem perguntar porque é que hoje me debruço sobre este tema, mas a resposta está no Diário de Notícias de hoje e claro que A Bem da Nação não pude deixar de o comentar e de me deliciar com o apimentado da coisa. Tenho a certeza que hoje outros bloggers vão igualmente ser muito injustos com estes senhores.

E a quem vai para a China ou para outros países, ou até mesmo para aquelas reuniões tédias em Bruxelas defender o investimento em Portugal porque a mão-de-obra é barata e a prata-da-casa não dá trabalho nenhum, eu faria como o General Humberto Delgado tinha feito a Salazar: óbviamente demitia essa malta toda.

A questão do aborto e eu

Sempre fui contra o aborto porque considero que um ser humano existe no ventre materno a partir da concepção e que abortar, ou como tão educadamente se diz “Interrupção Voluntária da Gravidez”, é tão grave ou pior que o acto de matar um ser humano já nascido. O Papa descreveu o aborto como o genocídio do nosso tempo, e apesar de não ser católico, é essa também a minha opinião. É claro que existem excepções em que terminar a gravidez podem ser consideradas tais como em casos de violação, quando a saúde da mãe está em perigo ou ainda quando se tem a certeza que a criança não sobreviverá o nascimento.

Ao longo do debate nacional sobre a IVG fui confrontado por muita gente que apoia a IVG e fui acusado de ser “menino bem”, de não saber nada da vida, que devia sair do pedestral e conhecer a vida, etc. Aqui vai a minha resposta a essas acusações.

Desde o meu nascimento e até aos meus 7 anos morei com a minha Mãe e os meus avós no Bairro Clemente Vicente no Dafundo. Para quem não conhece esse bairro, foi construido nos anos 40 para albergar famílias pobres e carenciadas. Fica à beira da Marginal entre Algés e a Cruz-Quebrada. Em 1966 a minha Mãe conheceu um homem 14 anos mais velho que ela que a seduziu e lhe pediu em casamento, pedido esse que foi aceite. Quando ela engravidou comunicou o facto ao meu pai biológico e este levou-a para casa dizendo-lhe para nunca mais a procurar. Pelo que me foi contado por ela anos mais tarde, um dia em Lisboa a minha mãe foi ameaçada de morte pelo meu pai biológico ainda durante a gravidez e disse que não o fazia por ela estar grávida. Entretanto depois de eu ter nascido estranhei a dada altura o facto de eu não ter um pai e os meus outros amigos o terem. Em 1973 a minha mãe conheceu um oficial da Força Aérea e casou com ele. No ano seguinte ele registou-me como seu filho, e é o nome dele que eu tenho em Portugal.

Antes do casamento da minha mãe era muitas vezes chamado de “parasita”, “bastardo”, entre outros adjectivos nada agradáveis ao ouvido. Depois do casamento fui confrontado várias vezes por pessoas conhecidas com palavras idênticas. Nunca disse nada a ninguém e guardei tudo isso para mim. Quando a minha mãe casou eu estava muito contente porque a tinha encorajado bastante a tomar essa decisão, e também porque eu gostava muito daquele que viria a ser o meu pai adoptivo, aquele que foi realmente o meu pai.

Durante a puberdade todos nós crescemos e queremos descobrir quem somos e ganhar raízes para a vida adulta. Falar sobre o meu pai biológico era um assunto tabú, por isso proibido. Quando fazia alguma pergunta esta era repelida com uma enorme violência verbal e eu era acusado de ser ingrato para com o meu pai adoptivo, quando nada disso estava em causa. Eu apenas queria conhecer o meu pai biológico, nada mais. A dada altura foi-me dado um nome e depois de muito investigar com a ajuda do Padre João Soares Cabeçadas, de S. João do Estoril e da minha professora de Moral e Religião, Teresa Câmara, encontrei por acaso em casa dos meus avós maternos um processo de paternidade que a minha mãe tinha posto em tribunal pouco depois do meu nascimento. Aí fiquei a saber o verdadeiro nome do meu pai biológico, o seu endereço e a sua profissão. Fui procurá-lo juntamente com a professora Teresa Câmara numa tarde de sábado. Falei com a mãe dele, a minha avó paterna, e ela disse que ele tinha saído com a mulher e a filha, que tinham ido a Lisboa. Fiquei desiludido mas parece que os meus esforços não foram em vão porque a minha avó biológica quis conhecer-me. Encontrou uma vez a minha mãe e disse que me queria conhecer, pedido esse que foi negado pela minha mãe sob o pretexto que eu agora tinha uma família. Ouvi-a a relatar essa conversa ao meu pai adoptivo, mas até hoje eles não sabem que eu ouvi essa conversa. Achei a minha avó biológica muito parecida comigo, ficámos petrificados a olhar um para o outro pois sabiamos quem éramos. Falou-me com ternura, e isso nunca vou esquecer. Estava vestida com uma camisola de malha branca e tinha lindos cabelos grisalhos. Estava um pastor alemão à entrada. Não voltei por muitos anos à Rua de Angola em Paço d’Arcos.

Quando a minha mãe descobriu que eu tinha procurado o meu pai biológico foi um enorme problema, mas não estou arrependido. Entretanto consegui falar com ele uma vez em Fevereiro de 1996, depois de lhe escrever uma carta, e ele jura a pés juntos que nada tem a ver com a minha paternidade e recusa fazer um teste de paternidade. Porque será? Tem medo, eu sei. Disse-lhe que sabia ter uma irmã e que esperava que o que ele fez à minha mãe nunca lhe acontecesse a ela, e se eu soubesse que o mesmo lhe tinha acontecido, que eu seria o primeiro a ir ajudá-la. O meu pai biológico respondeu “paciência, foram coisas que aconteceram e foram resolvidas no lugar certo e que não queria falar mais nisso”. Apesar de não querer falar, não retira o facto de eu ser seu filho biológico e que ele fugiu às suas responsabilidades e que por mais que ele tente esconder ou não se querer lembrar, foi ele que me gerou. Se em 1966 houvesse testes de paternidade ele não teria tido a mínima hipótese de negar a minha paternidade.

Agora para aqueles que me acusam de não conhecer nada da vida, leiam isto e pensem antes de escreverem a acusarem-me de coisas que não conhecem.

Update 27 de Novembro de 2008

Toda esta história, juntamente com outros factores na minha vida profissional entre 2004 e Junho de 2006, fizeram que entre Junho e Dezembro de 2006 eu estivesse em casa de baixa com uma depressão nervosa e um esgotamento, para os quais ainda hoje estou medicado.

Para quem nasceu antes de 1986

De acordo com os legisladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípio de 80, não devíamos ter sobrevivido até hoje porque:

1. as nossas caminhas de bebé eram pintadas com cores bonitas com tinta à base de chumbo que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos;

2. não tínhamos frascos de medicamento com tampas “à prova de crianças” ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas;

3. quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes;

4. quando éramos pequenos, viajávamos em carros sem cintos e airbags. Viajar à frente era uma festa;

5. bebíamos água da mangueira do jardim e não da garrafa e sabia bem. Comíamos batatas fritas, pão com manteiga, bebíamos gasosa com açúcar, mas nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora;

6. partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso;

7. passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pelo monte abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar uns travões. Depois de acabarmos num silvado, aprendíamos;

8. saímos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer. Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso;

9. não tínhamos Play Station, X Box. Nada de 40 canais de televisão, filmes de vídeo, home cinema, telemóveis, computadores, DVD, chat na Internet. Tínhamos amigos – se os quisessemos encontrar íamos brincar para a rua;

10. brincávamos às escondidas, ao elástico, à barra e chutar na bola até doía às vezes! Caíamos das árvores, cortávamo-nos, apareciamos todos esfolados e até partíamos alguns ossos mas sempre sem processos em tribunal;

11. andávamos à pancada uns com os outros mas sem sermos processados. Batíamos às portas de vizinhos e fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados;

12. iamos a pé para casa dos amigos e para a escola, não esperávamos que a mamã ou o papá nos levassem;

13. criávamos jogos com paus, pneus velhos e bolas;

14. se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem, eles estavam do lado da lei.

Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre. Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas. Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade, e aprendemos a lidar com tudo e mais alguma coisa.

És um deles? Parabéns!

Divulga esta mensagem a outros que tiveram a sorte de crescer como verdadeiras crianças,
antes dos advogados e governos regularem as nossas vidas “para nosso bem”.

Para todos os outros que não têm idade suficiente, pensei que gostassem de ler acerca de nós.
A maioria dos estudantes que estão nas universidades hoje nasceram em 1986… chamam-se jovens. Nunca ouviram “we are the world” e “uptown girl”, conhecem de Westlife e não de Billy Joel. Nunca ouviram falar de Rick Astley, Bananarama ou Belinda Carlisle. Para eles, sempre houve uma Alemanha e um Vietname. A SIDA sempre existiu. Os CD’s sempre existiram. O Michael Jackson sempre foi branco. Para eles, o John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que aquele gordo tivesse sido um dia o deus da dança. Acreditam que “Missão Impossível” e “Anjos de Charlie” são filmes do ano passado. Não conseguem imaginar a vida sem computadores. Não acreditam que houve televisão a preto e branco.

Agora vamos ver se estamos a ficar crescidos:

1. Entendes o que está escrito acima e sorris;

2. Precisas de dormir mais depois de uma noitada;

3. Os teus amigos estão casados ou a casar;

4. Surpreende-te ver crianças tão à vontade com computadores;

5. Abanas a cabeça ao ver crianças com telemóveis;

6. Lembras-te da “Gabriela” (a primeira vez);

7. Encontras amigos e falas dos bons velhos tempos.

SIM, ESTÁS A CRESCER!!

A vida em 1974

Na edição de hoje do Portugal Diário:

Lembra-se de quanto custava a vida antes da revolução de 1974? Ainda é do tempo em que um pão custava quatro tostões e um café apenas 14? Caro na altura só a gasolina, que custava 7$50 centavos. Mas os carros até pareciam em conta: um automóvel com 1000 cc ficava por 65 contos e um BMW 2002, também novo, custava perto de 100 mil escudos.

Os professores recebiam no final do mês cerca de três contos e quinhentos. Um docente efectivo podia chegar aos sete contos por mês. Uma quantia razoável, se pensarmos que o aluguer de uma casa nova custava cerca de dois contos.

Barato ficava também uma ida ao cinema: apenas cinco escudos. O bilhete mais caro chegava à quantia de 7$50. O mesmo custava tomar um bom pequeno-almoço no café da esquina, com direito a sumo de laranja e croissant com fiambre. Já fumar era vício que ficava barato. Um maço de SG Gigante custava 6$50.

No Ultramar, durante a guerra, os vencimentos eram francamente superiores: um capitão do Exército recebia 14 contos e um alferes mais sete contos e quinhentos.

Precisa-se de matéria-prima

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo.
Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos … e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é “muito chato ter que ler”) e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser “compradas”, sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.
Como “matéria prima” de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa “CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA” congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte… Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada… Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa “outra coisa” não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados….igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda… Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro… Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO. E você, o que pensa?…. MEDITE!


EDUARDO PRADO COELHO
– in Público, 23 de Novembro de 2005

O Orgulho de ser Português!

– A tua mãe ou avó têm Maria no nome.

– Tens uma avó ou tia que se veste só de preto.

– O teu pai ou avô se chamam Manuel, José, Antonio, ou João.

– Tens paninhos de crochet nos balcões da cozinha, na sala, na casa de banho… de facto, em todas as superfícies possíveis.

– Decoras as paredes com pratos.

– A tua casa é uma mini-igreja com mais imagens de Jesus e dos santos que uma igreja de verdade.

– Tens 25 anos e ainda vives com os teus pais. (Pontos extra se tu e a tua esposa viverem com os teus pais.)

– Avisas os outros condutores da presença da polícia na estrada com sinais de luzes, mesmo sabendo que um dos outros condutores pode ter assaltado um banco.

– Baptizas o teu filho e o inscreves na catequese mesmo que tu próprio só vás à igreja para assistir a casamentos e funerais.

– Pensas que todos os licenciados devem ser chamados “Doutor” e gostas de ser chamado assim, se fores um dos poucos escolhidos que conseguiram terminar o ensino superior.

– Estacionas no passeio, mesmo que tenhas que pedir às pessoas que lá estão para se desviarem.

– Tens telemóvel e gastas uma pequena fortuna com ele, mas pensas duas vezes antes de ir ao dentista.

– Passas as tuas férias em Espanha, em vez de Portugal, porque é mais barato.

– Se és mulher, já estiveste num curandeiro ou “bruxa”.

– Insistes que jamais comprarias azeite espanhol, embora a maior parte do azeite consumido em Portugal seja de origem espanhola.

– Ris com anedotas de alentejanos, e zangas-te quando sabes que as mesmas anedotas são contadas sobre os portugueses no Brasil.

– Pensas que podes apanhar uma constipação com uma corrente de ar ou estando sentado ao sol da primavera. Também achas que as bebidas frias podem causar gripe e não deixas ninguém tomar duche depois de comer como se algo horrível lhes pudesse acontecer.

– Consegues um atestado do teu médico por causa de uma doença não especificada e depois ficas duas semanas de férias.

– O professor do teu filho falta duas semanas (por causa de uma doença comprovada por atestado médico) e não te queixas porque o médico é o mesmo que te passou o atestado para faltares duas semanas ao emprego.

– Se és do Porto não gostas de gente de Lisboa e chamas-lhes “Mouros”. O contrário também é verdade, mas não te chamam uma palavra tão simpática.

– Pensas que os brasileiros falam português incorrecto e recusas-te a ler um livro escrito por brasileiros. No entanto, usas expressões tiradas de telenovelas brasileiras sem dar por isso.

– Dizes que os Portugueses, ao contrário dos Espanhóis, têm facilidade em aprender e falar línguas estrangeiras.

– Os teus pais têm umas 9 casas em Portugal, mas queixam-se de falta de dinheiro nos Estados Unidos.

– Ir de férias ao estrangeiro significa comprar presentes para todos os 500 membros da família.

– Ficas louco com o Mundial de Futebol. Com o Europeu também.

– Referes Portugal como “o continente”.

– Tens uma vinha no quintal.

– Ganhaste 10,000€ na tua primeira comunhão… nem vale a pena mencionar quanto ganhaste no casamento.

– Mandas o perú e o rosbife às urtigas, porque o jantar de Natal é bacalhau… oh yeahhh!

– Um barbecue não tem carne grelhada, mas sim sardinhas…

– Tens carta de condução só há um mês, mas o teu carro já tem um ano gasto em melhoramentos e enfeites…

– Uma colher de pau significa disciplina, ou já tiveste que te baixar para fugir a uns sapatos voadores.

– Ouves a palavra “sagres” e pensas em cerveja.

– Nada é melhor que um papo-seco com manteiga.

– O teu irmão de 15 anos pode levar as amigas para dormir lá em casa, mas a tua irmã de 19 só pode ficar na rua até às 7h da noite.

– Pensas que 2 da manhã é muito cedo para ir dormir, e 11 da manhã é também muito cedo para levantar.

– A tua avó diz que estás doente porque estás magro.

– Os teus pais fazem-te comer 3 pratos ao jantar, ou então pensam que não gostas da comida.

– Tens orgulho de ser português e passas estas piadas a todos os teus amigos.

In Mentes Tortuosas

A Ditadura dos Incapazes

Este domingo há eleições autárquicas em Portugal. Ao ver a campanha vê-se que anda “tudo atrás do tacho”. Quando é que vamos ver políticos com nível que se interessam com o bem-estar nacional, pelos problemas da população, que trabalham por amor ao nosso País? Nunca fui de esquerda nem de direita, o meu ideal político é justiça social como defendido pelos partidos de esquerda mas a defesa de diversos de valores conservadores de direita também não podem ser esquecidos. Não posso concordar com um referendo para despenalizar o aborto por considerar que assassinar um ser humano antes de nascer é tão grave como assassinar um já nascido. Também não posso concordar com a eutanásia, com o casamento de pessoas do mesmo sexo, e muitas outras questões relacionadas…

Vemos os partidos de esquerda a lutarem uma luta digna pelos direitos dos trabalhadores contra o contínuo saque feito pelas entidades patronais, vê-se a justa “revolta” dos militares para poderem conservar as regalias adquiridas anteriormente, vê-se a luta dos professores por melhores condições de trabalho e por mais estabilidade, vê-se os jovens à procura do primeiro emprego, vemos o trabalho infantil e as reformas de miséria… onde é que isto vai parar?

Portugal está numa encruzilhada, precisamos de políticos de qualidade, precisamos de governantes que queiram e que saibam servir Portugal em vez de servirem os seus bolsos, precisamos de políticos humildes e dispostos a irem ao encontro da população com frequência e não apenas quando abre a caça ao voto para logo se esquecerem que chegaram onde chegaram devido ao voto do Zé e da Maria!

Depois temos as eleições presidenciais. Mário Soares foi um bom Presidente e entrou para a História como um grande democrata que salvou Portugal da ruína em momentos muito complicados. Agora é de novo candidato e volta como se fosse Dom Sebastião. A era de Mário Soares acabou há muito e ele sabe-o bem, esta candidatura é um frete para tentar salvar o Eng°. Sócrates de uma queda inevitável. Ainda há meses o Dr. Mário Soares disse “Basta!” naquele grande jantar de beija-mão. Em Portugal dá-se o dito pelo não dito, não se queria dizer aquilo que se disse, muda-se de opinião muito depressa… Como disse ontem o Presidente Jorge Sampaio no seu discurso do 5 de Outubro, a memória popular é muito curta. A classe política na sua generalidade não tem estofo para ocupar os cargos que ocupa. Deste blog mando um grande abraço aos pouquíssimos políticos de Portugal que são dignos desse nome, e votos de muita coragem, mas de muita coragem mesmo, a todos aqueles que têm de viver na Ditadura dos Incapazes.