Nova carta à Alemanha

Publicado por JM Castro Caldas no Ladrões de Bicicletas

Senhora Merkel, Chancelerina da Alemanha

Em novembro de 2012 por ocasião de uma visita sua a Portugal escrevi-lhe uma carta em que lhe pedia que desse conhecimento aos seus compatriotas dos riscos em que os fazia incorrer com os resgates à Grécia, à Irlanda e a Portugal.

Pedia-lhe que lhes dissesse que “os empréstimos concedidos à Grécia, à Irlanda e a Portugal são na realidade uma dívida imposta aos povos destes países para “resgatar” os vossos bancos”. Isto que então lhe dizia tornou-se entretanto cristalino ao ponto de ser quase oficialmente reconhecido.

Dizia-lhe também que em consequência da austeridade “estes países, chegarão ao ponto em que terão de suspender o serviço da dívida [com] perdas pesadas para todos, contribuintes alemães incluídos”. Pois bem, a avaliar pelo que publicam os jornais do seu país esse ponto está cada vez mais próximo.

Segundo esses jornais a senhora conseguiu vencer o risco de “contágio” da Grécia. A Grécia deixou de contar. A Irlanda e Portugal estão “reabilitados”.

Dispenso-me de comentar o recurso ao horrível verbo “reabilitar”. Digo-lhe só que se engana. Engana-se duplamente e engana os seus concidadãos. Nem a Grécia deixou de contar, nem Irlanda e Portugal estão a salvo.

É verdade que a Grécia, Portugal e a Irlanda já não devem quase nada aos bancos do seu país. Os bancos do seu país, estão, não diria a salvo, mas muito mais protegidos. No entanto, em contrapartida, a Grécia, Portugal e a Irlanda devem muitíssimo aos fundos europeus garantidos pelos impostos de todos os europeus, incluindo os dos cidadãos do seu país.

É verdade também que as taxas de juro da dívida portuguesa e irlandesa são de momento baixas, mas não é menos verdade que qualquer abanão vindo da Grécia, como vimos no mês passado, tende a quebrar esse equilíbrio, vedando de novo o acesso pelo menos de Portugal ao mercado de capitais.

Vemos assim que não lhe bastou omitir a verdade uma vez. A senhora na realidade sabe que qualquer solavanco, seja ele na Grécia, seja ele em Espanha, seja ele na Irlanda, seja ele em Itália, será suficiente para desencadear uma reação em cadeia. No entanto, para tentar submeter a democracia Grega, dá-lhe jeito fingir que não é assim. Dessa forma volta a faltar à verdade ao esconder as enormes perdas para os contribuintes alemães que decorreriam de um agravamento da tragédia Grega por si provocado.

Mais uma vez senhora Merkel lamento a amargura que transparece das minhas palavras. A senhora está presidir a um desastre europeu de grandes proporções. E o mais absurdo é que nem sequer o está a fazer em nome do interesse do povo alemão.

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