O Grande Anúncio do Alcorão

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I. Introdução

O Alcorão é um dos livros mais influentes da História.
Para cerca de mil milhões de muçulmanos, espalhados por vários países do mundo, ou seja um sexto da humanidade, é a Palavra revelada por Deus. É um belo poema, uma oração e um código de leis que se impõe por sua magnificência e sabedoria, constituindo assim uma força motriz de comportamento religioso, social e político da humanidade. Também para a Fé Bahá‟í é a Revelação da Palavra Divina.
Este Livro foi revelado durante o século sétimo da nossa Era na Península Arábica de entre diferentes e antagónicas tribos árabes. A maior parte desses habitantes dedicavam-se à pastorícia ou a actividades agrícolas rudimentares, tendo uma vida semi-nómada ou vivendo em pequenas cidades. Um factor económico importante era a presença de importantes rotas comerciais que ligavam a Índia à Síria e a Bizâncio.
Estes povos árabes dividiam-se em diferentes tribos e a sua lealdade era para com a tribo a que pertenciam. A lealdade de cada um dependia acima de tudo da tribo ou clã a que pertenciam. Honra, casamento, amizades, estatuto social tudo dependia da relação que a tribo estabelecia com o indivíduo e vice-versa. Estas tribos eram extremamente belicosas, e os conflitos estabeleciam-se ao longo de gerações. A honra da tribo justificava e requeria a vingança. Pegar em armas e lutar pela sua tribo era a maior honra que podia ser concedida a um homem. Se alguém não pertencesse a uma tribo poderosa teria que pedir a sua protecção, caso contrário a sua vida ficaria em risco.
A maior parte dessas tribos praticava formas primitivas de adoração. Adoravam ídolos construídos em madeira ou pedra. No entanto, o cristianismo e o judaísmo não eram estranhos aquelas gentes, tanto pelos contactos com as rotas comerciais como pela existência de algumas tribos judaicas.
De todos os santuários aquele que mais se destacava era o de Kaaba em Meca. Era o centro da comemoração anual dos seus principais ídolos. O próprio Maomé era descendente de uma família de custódios, os Quraish, uma das tribos mais importantes da altura. A Sua família tinha a responsabilidade de providenciar alimentos e água aos peregrinos que se deslocassem a Meca.
Pequena descrição da vida de Maomé
Maomé nasceu no ano 570 D.C. em Meca. O Seu pai morreu meses antes de Maomé ter nascido e a Sua mãe morreu quando Ele tinha seis anos. Assim, foi entregue aos cuidados de Seu avô e dois anos e dois anos após, devido ao seu falecimento, ficou à guarda de Seu tio, Abú Tálib, pai de Ali e o chefe da família Banú Háshim.
Enquanto Maomé foi crescendo era conhecido pela sua honestidade e dedicação aos Seus semelhantes. Ajudou o Seu tio nas suas viagens mercantis, mas o negócio não decorria da melhor forma e a fortuna diminuía. Mais tarde uma viúva rica de seu nome Khadija contratou Maomé para as suas actividades mercantis. Quando Maomé tinha vinte e cinco anos casou-Se com Khadija, que era quinze anos mais velha, enquanto ela foi viva não teve outras esposas. Deste casamento resultaram oito filhos, mas só quatro filhas é que atingiram a idade adulta. Na casa de Maomé também viviam: o Seu primo, e irmão adoptivo, Ali, e o seu filho adoptado, um escravo liberto de seu nome Zayd.
Quando Maomé tinha quarenta anos (610 D.C.) chegou-Lhe a primeira revelação.

Ele ficou aterrorizado mas a Sua Mulher Khadija confortou-O e tornou-se a primeira crente. O Seu primo Ali, com apenas nove anos de idade, tornou-se o segundo crente e Zayd o terceiro. Fora de Sua casa o primeiro crente foi Abú Bacre. O número de crentes foi então aumentando.
Passados quatro anos veio o tempo em que Maomé fez o anúncio público de Sua missão.
Primeiro fez a revelação no Seu próprio clã e posteriormente aos Mecanos em geral, no Monte Safá. Maomé apelou ao povo para abandonar os ídolos e adorar o Deus único e verdadeiro. Este anúncio público provocou a ira dos notáveis. O abandono dos ídolos iria provocar uma ruptura na sociedade de Meca e o seu prestígio seria abalado consideravelmente.

Nesta altura a maior parte dos seguidores da Revelação Maometana eram jovens de pouco estatuto na sociedade, alguns deles eram escravos. Muitos destes seguidores foram perseguidos, torturados e mortos. Apenas a protecção de Abú Tálib (por devoção familiar e não por ser crente) impediu que Maomé fosse morto.
Nesta fase a doutrina maometana era muito simples: há apenas um Deus que enviou Maomé para ser Seu Profeta; toda a actividade de idolatria devia ser abandonada; o cumprimento de algumas práticas sócias e familiares, tais como a proibição inequívoca de queimar vivas as filhas quando nasciam, e a noção de que os homens deveriam purificar os seus pensamentos e acções de forma a prepararem-se para o Dia do Juízo.
A perseguição daí resultante foi tão árdua que Maomé enviou alguns dos Seus seguidores até à Etiópia pedindo a protecção a um rei cristão. Mesmo aí a perseguição não cessou.
No ano de 619 dois eventos trágicos colocaram a vida de Maomé em perigo. O primeiro correspondeu à morte de Khadija, que tinha sido o Seu grande amparo e o segundo a morte de Abú Tálib, Seu tio e protector. A liderança na casa de Háshim passou para Abú Laháb, também Seu tio mas inimigo jurado. Logo aquele retirou a protecção de que o Profeta tinha usufruído colocando Sua vida em risco. Foi então que teve de recorrer à protecção de um clã que não era o Seu e cujo o chefe era um idólatra.
Em 620 na época da peregrinação a Meca, Maomé encontrou sete homens da tribo khazraj da cidade de Yathrib e converteu-os ao Islão. No ano seguinte regressaram com mais sete homem dessa mesma tribo que se vieram a converter. Estes novos crentes juraram fidelidade ao Profeta; eliminação da idolatria; abolição do sacrifício do primogénito; cessação da calúnia e maledicência. Também prometerem pegar em armas para defender o Profeta. Muitos autores consideram este acontecimento como sendo um ponto chave para o êxito de Maomé.
No ano de 622 o sucesso da mensagem maometana começou a entrar numa espiral de sucesso. Nesse ano setenta e dois homens e três mulheres da cidade de Yathrib vieram jurar aliança com Maomé. Eram provenientes de tribos poderosas e prometeram proteger a vida do Profeta pelas armas, se necessário.
Maomé disse a todos os seus seguidores para se dirigirem para Yathrib, tendo apenas ficado em Meca Ali, Zayd, Abu Bacre e o próprio Maomé. Os líderes de Meca ficaram alarmados com este acontecimento. Quarenta dos notáveis mecanos, reunidos em conselho, decidiram matar Maomé. Nessa mesma noite, no entanto, Maomé abandonou a cidade juntamente com Abu Bacre tendo-Se refugiado numa gruta.
Ali dormiu na cama do Profeta de forma a enganar os assassinos que tinham combinado matar em conjunto o Profeta para que a responsabilidade caísse sobre todos. Nessa manhã os assassinos ficaram furiosos ao descobrirem terem sido enganados, a vida de Ali correu perigo. Apesar de todas as buscas Maomé não foi encontrado e alcançou Yathrib, a que Ele chamou “Madínat na Nabí”, o que em Português quer dizer “Cidade do Profeta”, na sua forma mais curta designa-se por Medina. Neste ano de 622, significou um ponto de viragem na força da comunidade maometana, a partir deste ano inicia-se a contagem da Hégira, ou Emigração, o início do calendário islâmico.
Quando Maomé chegou a Medina os Seus seguidores ainda formavam uma minoria, mas Maomé gozava de grande prestígio, pois já antes de ter iniciado a sua missão tinha sido convidado para arbitrar conflitos entre diferentes tribos. O Seu papel nos primeiros anos que viveu em Medina tinha uma característica essencialmente político. Procurou estabelecer laços de cooperação entre facções rivais. No primeiro ano conseguiu forma uma confederação de todos os grupos rivais existentes em Medina. Esta aliança obrigava a que combatessem um inimigo comum exterior, não realizassem uma paz separada com o inimigo, não abrigassem ninguém que tivesse cometido um crime. Esta aliança fez de Medina um Santuário da Sabedoria do julgamento de Maomé. As tribos judaicas estavam incluídas nesta aliança e gozavam dos mesmos direitos que quaisquer outras.
De forma a fortalecer os laços na comunidade maometana o Profeta ordenou a todos os crentes que viessem de Meca para a adoptar um dos crentes de Medina como seu irmão de sangue.
No ano 625 após uma série de batalhas o exército de Meca marchou sobre Medina. O exército medinense comandado por Maomé esperou pelo inimigo no Monte Uhud. Após uma árdua batalha o exército medinense foi derrotado.
Consequentemente, o prestígio de Maomé ficou fortemente abalado, o que provocou a rebelião daqueles que tinham prestado juramento à Sua aliança não por pureza de motivo mas sim por uma questão de oportunismo. De entre eles encontravam-se algumas tribos judaicas, e que mais tarde foram obrigadas a abandonar Medina.
No ano 627 veio o derradeiro esforço dos mecanos para derrotarem o Profeta. Aliando-se às tribos judaicas e perfazendo no total um exército de dez mil homens, marcharam sobre Medina. Maomé apenas pode juntar trinta mil homens. Por conselho de Salmán, um persa convertido, Maomé ordenou que se fizesse um fosso à volta da cidade. Este sistema resultou em sucesso. No entanto algumas tribos judaicas que tinham permanecido em Medina entraram em negociações secretas com o inimigo, expondo assim um flanco das defesas. Mais tarde O Profeta castigou os responsáveis pela traição.
Em 628, Maomé decidiu alcançar Meca como peregrino. Quando Ele e os Seus companheiros deixaram Medina foram armados apenas com uma espada. A Sua entrada foi bloqueada, mas após negociações ficou estabelecido que Ele deixaria a cidade mas que no próximo ano realizaria a peregrinação.
Em Fevereiro de 629, sete anos após a Emigração, Maomé voltou a Meca para cumprir o tratado estabelecido no ano anterior. Muitos habitantes de Meca deixaram a cidade, mas alguns como o Seu tio al-Abbás, que tinham tido uma atitude passiva face à Causa, receberam-No de braços abertos.
No final de 629 algumas tribos medinenses quebraram o tratado estabelecido com Maomé, tendo os seus aliados mecanos vindo em seu auxílio. Desta forma, Maomé levantou um exército para terminar com a traição. No início de 630 Maomé aproximou-se de Meca chefiando um grande exército. Os mecanos não tinham forças à altura, então o chefe da família dos Omíadas, submeteu-se a Maomé, ao que foi seguido pela grande maioria dos mecanos.
Assim, Maomé entrou em Meca de forma triunfante, oito anos após ter de abandoná-la sob o risco de ser assassinado pelos principais clãs. O seu primeiro acto foi entrar em Kaaba com Ali aos Seus ombros e destruir todos os ídolos – acto este com um profundo significado simbólico.
O ano seguinte, corresponde a um período em que várias tribos da Arábia vieram prestar juramento ao Profeta, incluindo algumas que se Lhe tinham oposto ferozmente. Para junto dessas tribos enviou alguns dos Seus companheiros mais próximos a fim de lhes ensinar o Islão. Algumas tribos cristãs do norte reconheceram a soberania de Maomé e comprometeram-se a pagar uma taxa que o Islão decretou para os súbditos não muçulmanos.
Nesse ano Maomé não efectuou a peregrinação mas encarregou Ali de não permitir que os pagãos se aproximassem de Kaaba. No ano seguinte, O Profeta fez a peregrinação que se veio a tornar a Sua última, e padrão para todas as subsequentes de Seus seguidores.
Após regressar a Medina no Verão de 632, ficou febril e após algumas semanas a debater-se com a doença veio a falecer.
No início de Seu ministério, ensinou uma ética muito centralizada na adoração a um só Deus e banimento do paganismo.
Houve três pontos-chave constantemente relembrados aos crentes:

  • 1. Crença num só Deus e rejeição de todos os ídolos;
  • 2. Crença em Maomé como Mensageiros de Deus;
  • 3. Crença no dia do Julgamento.

A estes pontos foram acrescentados os seguintes rituais e regras:

  • 1. Oração obrigatória, cinco vezes ao dia;
  • 2. Jejum no mês do Ramadão;
  • 3. Pagamento da esmola;
  • 4. Peregrinação a Kaaba;
  • 5. Jihád, ou guerra santa contra os idólatras.

Além destes foram sendo transmitidas um séria de leis para reger a vida social tais como casamento, divórcio, herança. Outras versavam um código de conduta moral e ética onde eram enfatizados o valor da castidade, honestidade, tolerância, solidariedade e perdão. Estes princípios vieram a tornara-se a base das fundações da comunidade islâmica.
Provavelmente o maior feito de Maomé, aos olhos dos homens, terá sido o de juntar uma série díspar de tribos, muitas vezes inimigas juradas, numa só nação. Esta viria a transformar a inimizade em união fraterna, tão forte que era que nem os orgulhosos e poderosos impérios persa e bizantino lhe conseguiram fazer frente. Tão poderoso foi este ímpeto dado à nação islâmica que no espaço de uma geração veio a conquistar o território desde a Tunísia até à fronteira com a Índia. No espaço de poucas gerações este povo ignorante de costumes bárbaros e primitivos veio a ser o farol da civilização ocidental por mais de quatro séculos.
Acerca da vida de Maomé, todas as fontes bibliográficas, indicam ter usufruído de um vida simples e mesmo austera. Apesar de nos últimos de Sua vida ser um governante poderoso sempre se satisfez com roupas modestas e comida frugal. Os Seus julgamentos eram reconhecidos pelos Seus seguidores e adversários, como sendo cheios de sabedoria. Em termos políticos nunca utilizou a força quando era possível recorrer a negociações e só iniciou as agressões após os adversários terem demonstrado as suas intenções hostis. As poucas execuções por Ele ordenadas foram dirigidas a homens que de forma continuada se opuseram à Sua posição e minavam a comunidade. A alguns dos inimigos recebia de forma tão magnânime que os Seus seguidores se queixavam de aqueles serem melhores tratados do que eles próprios.
O facto de Maomé ter tido mais de doze mulheres tem sido objecto de crítica contínua no Ocidente, mas numa análise imparcial poderemos concluir que os Seus casamentos não resultaram de uma vontade de satisfazer as Suas vontades carnais ou de demonstração de estatuto. O Seu primeiro casamento ocorreu no auge da juventude com Khadija que já tinha atingido quarenta anos de idade e, durante os vinte e cinco anos que tiveram casados, Maomé nunca teve outra mulher.
Os Seus posteriores casamentos resultaram de razões humanitárias ou políticas. As Suas esposas eram viúvas de companheiros Seus que tinham ficado sem protector, ou eram membros de famílias importantes ou clãs a quem era necessário honrar de forma a garantir as alianças. Muitas das suas esposas já tinham idade avançada e apenas Aisha, filha do Seu companheiro, Abu Bacre, a quem o Profeta entendeu honrar, era virgem. De facto, do Seu primeiro casamento nasceram oito filhos, ao passo que dos casamentos posteriores apenas nasceu mais uma criança.
Fazemos aqui um pequeno aparte para nos referirmos aos direitos das mulheres. É provável que até hoje ninguém tenha feito tanto pela sua condição como o fez O Profeta outrora. Ele permitiu que elas herdassem, mesmo sendo metade dos varões, mas o que era delas, segundo a lei islâmica, seria administrado conforme elas entendessem. No mundo ocidental, apenas em 1873, segundo a lei inglesa, foi-lhes permitido gerir as sua heranças e propriedades sem o controlo dos maridos.

O Islão após a morte de Maomé
A seguir à morte do Profeta, uma assembleia de muçulmanos escolheu Abu Bacre para liderar a comunidade, foi então o primeiro califa. O califado de Abu Bacre (632 – 634) apenas durou dois anos, os eventos mais importantes resultam da necessidade de esmagarem a revolta de muitas tribos árabes que abandonaram o Islão após a morte de Maomé.
Abu Bacre apontou como seu sucessor Omar. Durante o seu califado (634 – 644) os exércitos do Islão alcançaram vitórias notáveis contra os outrora todo-poderosos impérios persa e bizantino. A sucessão de Omar foi decidida por uma conselho de seis homens apontados por ele próprio. Este conselho nomeou como seu sucessor Uthman, membro do clã dos Omíadas. O seu califado (644 – 656) durou doze anos mas tornou-se francamente impopular nos últimos anos, o que conduziu ao seu assassinato. Em 656 Ali foi nomeado califa. No entanto, Muavia e o clã dos Omíadas rebelaram-se e causaram a morte de Ali em 661 abrindo assim caminho para o califado de Muavia e posterior domínio dos Omíadas no mundo islâmico. (1)1 Yazíd, filho de Muavia, viria a ser causador do assassinato de Husayn, filho de Ali, e da chacina da família de Maomé.
No entanto, estes assuntos, tais como as primeiras divisões no mundo islâmico, serão desenvolvidos após o capítulo XV

Esta dinastia, que trouxe a capital para Damasco teve um total de catorze governantes, durou até ao ano 750 (132 DH). Muitos historiadores islâmicos consideram esta dinastia como corrupta, pérfida e traiçoeira. Em 750 ocorreu uma revolta que os depôs tendo sido substituídos pelos Abássidas, descendentes do tio de Maomé, al-Abbás – apenas a Espanha ficou sob domínio Omíada. Em 763 mudaram a capital para Bagdad e durante 150 anos governaram o mundo islâmico. No entanto, o poder árabe na comunidade islâmica ia-se dissipando sendo substituído pelos persas e sobretudo pelos turcos.
Com o emergir do Império Otomano – de raízes turcas – e a tomada de Constantinopla o califado mudou-se para aí. Este Império veio a dominar os Balcãs e chegou às portas de Viena, capital do Sacro Império Romano – Germânico. Após a primeira guerra mundial desmoronou-se e o califado otomano terminou em 1924.

O Alcorão
O Livro Sagrado revelado durante a vida terrena de Maomé é designado de Alcorão – que significa Recitação.
As imagens e expressões que lhe caracterizam reflectem o meio e a época em que o Alcorão foi revelado: um meio de desertos e oásis, de comércio rudimentar e de actividades agrícolas e pastoris.
O Profeta, transmitiu a mensagem de forma a que aqueles povos a entendessem. Prescreveu ao homem uma vida de submissão à vontade divina.
O Alcorão compreende 114 capítulos (Suras) revelados por Maomé, dos quais 86 em Meca e 28 em Medina; e compreende nada menos que 6236 versículos. Cada capítulo é uma prelecção, na qual os crentes são exortados a seguir determinadas normas morais ou a aplicar determinadas leis; ou mesmo a crer em determinadas verdades, extraindo conclusões dos fatos históricos que lhes são narrados.
O conteúdo do Alcorão representa um dogma, o da religião islâmica; uma lei, a lei corânica, que compreende os códigos penal, civil, constitucional e militar; normas para o comportamento individual e social; e narrativas históricas.
Dessas narrativas, muitas são referidas pelos textos bíblicos, tais como: a criação de Adão; a crença de Abraão; a história de José e seus onze irmãos; a perseguição do Faraó a Moisés e aos judeus e o êxodo para a Terra Prometida; a sabedoria de Salomão; o nascimento de Jesus Cristo e muitas outras.
Há mesmo referências científicas que só hoje é que estão a ser entendidas.
A Amplitude da Revelação Corânica
Circunscrever esta Revelação apenas ao mundo muçulmano seria um erro, por toda a contribuição para a história universal e poderosa convocação para que o homem se enobreça com a comunhão da Palavra revelada.
Conforme já dissemos, os inimigos da Causa de Deus organizaram grandes exércitos para matar Maomé e o grupo de Seus seguidores. Ele tinha de proteger a Causa de Deus e os Seus discípulos com as respectivas famílias. Assim, permitiu que os Seus seguidores lutassem contra os selvagens que desejavam destrui-los. Tal como nos tempos de Krishna, os exércitos da luz e das trevas novamente se haveriam de digladiar.
Foi aprendendo com a civilização árabe e islâmica que a Europa medieval adquiriu muitos conhecimentos relacionados com a arte, ciências naturais e exactas, filosofia e sistemas de governo. Assim, mesma que de forma não explícita, o renascimento europeu foi uma herança maometana.
A própria reforma luterana que veio dar uma novo impulso ao cristianismo, na sua maioria de forma benigna, é um reflexo do Islão.
Disse que a religião de Deus, que viera dos céus através d‟Ele, voltaria a Deus depois de passados mil anos.
Com isso quis dizer que o povo esqueceria Seus ensinamentos, no decorrer de mil anos. Mas, acrescentou Maomé, depois desse tempo, quando nada mais restasse da Religião de Deus na terra, o som de uma poderosa trombeta seria ouvido, não uma vez, mas duas vezes – e os povos do mundo veriam a face do próprio Deus.
O som da trombeta significa o Chamado de Deus.
O Chamado de Deus já feito duas vezes nesta Era, tal como profetizado. O Báb apareceu exactamente mil anos depois da revelação do Islão. No espaço de tempo ínfimo, Bahá‟u‟lláh declarou Sua Missão. Foi então que O Báb chamou os homens para Deus, lembrando-os da Sua grande promessa. Bahá‟u‟lláh levantou a Sua voz em seguida, após o massacre d‟O Báb, num segundo clamor, chamando os filhos de Deus para fitarem Sua face.
Vamos procurar fazer um estudo desta Revelação maravilhosa e o cumprimento de Suas profecias, não sem antes fazermos algumas referências ao advento de Maomé e tentar apontar algumas razões que têm provocado animosidade entre a Cristandade e o Islão.
Razões para animosidade para com o Islão
Sendo o Alcorão o Livro que precedeu o Evangelho (crença da Fé Bahá‟í) faremos uma pequena análise ao facto de o Islão não ter vingado (pelo menos de forma explícita) no mundo ocidental: O Islão é entendido como rival da cristandade. De uma forma geral os historiadores ocidentais têm dado pouca atenção ao contributo dado pelo Islão à cultura universal. O Alcorão é poucas vezes estudado de forma séria, sendo difícil a abolição de preconceitos adquiridos ao longo de gerações. Aqueles líderes e seguidores do Islão que têm sido menos fiéis aos seus ensinamentos têm atraído mais atenção do que aquela que era justo ser-lhes atribuída. Comportamentos de muçulmanos, considerados por vezes chocantes, são usualmente associados aos ensinamentos do Alcorão.
Nas Escrituras Sagradas é referido que muitos muçulmanos repetiam histórias acerca de Maomé em suponham estar a louvá-Lo, quando o efeito era o oposto. Muitas dessas histórias faziam menção da Poligamia do Profeta como uma maravilha que O enaltecia, outras faziam crer que o derramamento de sangue em nome da Jihad, mesmo que provocada pelos seguidores do Islão, era prova de se ser bom muçulmano.
O fanatismo e o excesso de zelo que foi praticado durante a conquista de diferentes territórios, como o da península ibérica, impediu que a religião se tenha sedimentado suficientemente para se opor a uma “reconquista cristã” – um cristianismo de características germânicas e sustentáculo de um mundo feudal, e intransigente, em contraposição ao cristianismo mediterrânico.
Na realidade, após a morte de Maomé e, em particular, após o assassinato de Ali, o primeiro Imame ou quarto Califa, conforme seja a visão xiita ou sunita, o Islão foi perdendo a sua pureza inicial, pois enquanto a possuía a Sua marcha era irresistível.

II. A vinda de Maomé profetizada por Jesus
Para os Bahá‟ís, independentemente das suas raízes culturais ou religiosas, é crença inequívoca que Maomé é um Manifestante de Deus e que os fundamentos islâmicos jamais renegam a divindade de Jesus.
Na realidade, a vinda de Maomé foi profetizada por Jesus, tal como está escrito no Evangelho de São Mateus 24:29:
“Logo em seguida, depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento e os poderes do céu serão abalados.
Então aparecerá o Filho do Homem, e todos os poderes da terra farão lamentações e verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu com grande poder e glória”.
Bahá‟u‟lláh explica o significado destes versículos no “Livro da Certeza” – livro que recomendamos a todo o crente judeu, cristão, muçulmano, ou de outra religião, agnóstico ou ateu, a ler. Aí Ele afirma que esta profecia de Jesus tem um carácter simbólico, de múltiplos significados. Por exemplo, considera que a referência aos astros é uma alusão aos sacerdotes da época, que deixarão de reflectir a luz da verdadeira religião e considera as “nuvens” como as vãs fantasias do Homem que impedi-lo-ão de O reconhecer, desta vez com o nome de Maomé, isto porque ambos reflectem a mesma Luz Divina, ou seja quem reconhecer Maomé está a reconhecer a volta de Jesus. A palavra “céu” é uma referência ao Seu elevado grau de espiritualidade.
O livro da Revelação de São João também possui várias referências para com Maomé. Assim, no décimo primeiro capítulo é referido: “E Eu darei poder às minhas duas testemunhas, e, vestidas de saco, profetizarão por mil duzentos e sessenta dias”. Essas duas testemunhas são Maomé e „Ali Abu Talib. Cada dia significa um ano, o que quer dizer que os seus ensinamentos serão válidos por mil duzentos e sessenta anos. Assim, a Revelação Bábi surgiu no ano 1260 da Era Islâmica, terminando a Era Maometana e dando início ao Ciclo Bahá‟í.
As “roupas de saco” significa que de início seriam possuidores de pouco esplendor e que a Sua lei aos olhos dos homens não seria nova porque as suas leis sociais são semelhantes às da revelação de Moisés e as leis espirituais correspondem às de Jesus. Assim, para Seus inimigos a Sua mensagem seria apenas uma repetição.
A seguir está escrito: “Estes são as duas oliveiras e os dois candeeiros, postos diante do Deus da terra”. Estas duas almas são comparadas a dois candeeiros por iluminarem a humanidade com seu seus ensinamentos. A referência a oliveira deve-se ao facto de naquela época o azeite ser o combustível utilizado nas lâmpadas.
2 Ver Esplendor da Verdade, página 58

III. Ensinamentos Básicos do Alcorão
Um estudo cuidadoso do Alcorão permite discernir uma grande consonância entre os Seus ensinamentos e o das Escrituras Sagradas que O antecederam. Muitas histórias relatadas também são semelhantes.
Apresentaremos alguns princípios que poderão ser facilmente identificados.
A Unidade de Deus e a Unidade dos Seus Apóstolos e Profetas
Deus é uno, e há uma unidade fundamental dos Seus Apóstolos e Profetas, e além disso as Suas escrituras são uma só, é confirmado pelo seguinte versículo:
“Dizei-lhes: “Cremos em Deus e no que foi revelado a Abraão, a Ismael, a Isaac, a Jacob e às doze tribos; no que foi dado a Moisés e a Jesus; no que foi dado aos Profetas pelo seu Senhor. Não diferenciamos nenhum deles e somos submissos a Deus [Muçulmanos].” – Sura “A Vaca” (II, v.136)
Desta forma os Muçulmanos acreditam em Deus, no Alcorão e no que foi revelado a Abraão, Ismael, Isaac, Jacob e outros, tal como a Moisés, Jesus e os Profetas. Está claro que os Muçulmanos não devem fazer distinção entre os Mensageiros dessas Revelações.
A origem divina de todas as Leis de Deus
As leis enviadas por Deus à humanidade, não obstante exteriormente serem diferentes têm sido reveladas através de diferentes Apóstolos para as diferentes nações em diferentes épocas, eram e continuam a ser um só na origem e no propósito, tal como expresso no seguinte versículo:
“Institui-vos a respeito da religião, o que dispus para Noé, e que Te inspirámos e o que dispusemos para Abraão, Moisés e Jesus, dizendo: “Permanecei na Religião! Não divirjais acerca dela! Deus escolhe, para O seguir, a quem quer e conduz a Si quem se volta para Ele!
Os homens só se dividiram em seitas depois de lhes haver chegado a ciência por mútua insolência. Se não fosse a Palavra proveniente do seu Senhor, que precedeu, indicando um prazo determinado já se teria decidido entre eles. Os que, depois deles, receberam em herança o Livro, estão em grande dúvida sobre ele.” – Sura “O conselho” (XLII, v.13-14)
Deus prescreveu as Leis, ou jurisprudência, do Islão, de acordo com as exigências daquela época, tal como Ele tinha revelado as leis a Noé, Abraão, Moisés e Jesus no passado.

A Função dos Apóstolos de Deus é Uma Só e a Mesma
Deus atribuiu a Maomé, O Apóstolo de Deus, três funções: testemunha, anunciador, admoestador.
“Profeta! Enviámos-te como testemunha, anunciador, admoestador.” – Na Sura “Os Partidos” (XXXIII, v.45):
Para os Apóstolos, em geral, Deus diz-lhes o seguinte:
“Não mandámos os Enviados a não ser anunciadores e exortadores.” – Sura “Os Rebanhos” (VI, v.48):
Mais tarde será demonstrado que Moisés e Jesus também eram testemunhas.

Quando é que os Apóstolos são enviados?
Dado o princípio da unidade de ensino no Alcorão, porque deveriam ter havido diferentes religiões e diferentes Apóstolos? E também quando enviaria Deus um novo Apóstolo?
“Os homens constituíam apenas uma comunidade única, mas separaram-se, e se não tivesse sido um decreto que, vindo do Teu Senhor, chegou antes disso, realmente ter-se-ia decidido entre eles no que divergiam.” – Sura “Jonas” (X, v.19).
O versículo explica que quando uma comunidade unificada perde a sua coesão e desenvolve divergências, Deus envia uma Revelação para restabelecer a sua unidade.
“Os homens formavam uma comunidade única, e Deus enviou-lhe os Profetas como anunciadores e admoestadores, e fez chegar através deles O Livro com a verdade para julgar entre os homens aquilo que divergiam. Não divergiam senão aqueles que o receberam, depois de lhes chegarem as provas manifestas. Deus guiou os que o aceitaram aquilo em que divergiam da verdade os injustos, com a sua permissão, pois Deus conduz a quem quer pelo caminho recto.” – Sura “A Vaca” (II, v. 213)
Estes versículos reafirmam que Deus envia as Suas Manifestações para educar e julgar a humanidade. Aqueles que acreditam no novo Livro são guiados de forma a eliminar as suas diferenças, enquanto outros voltados para os seus desejos sofrem desarmonia. Desta forma sempre que surge uma nova Revelação, os sinceros são guiados para a unidade, enquanto que aqueles amarrados à Revelação anterior se penalizam. Parece-nos ser importante referir que neste versículo, “Profetas” está no plural, enquanto no singular é confirmada a unidade da Revelação Divina.

IV. Interpretação do Alcorão
A interpretação do Alcorão é um assunto francamente delicado. Daí ser nossa intenção fazer uma análise tão objectiva quanto possível, mas nunca considerando que esta deva ser considerada como definitiva e muito menos inquestionável.
Deus avisou os Muçulmanos acerca da interpretação do Alcorão:
“Nada está oculto a Deus nem na Terra nem no Céu. É Ele quem vos molda no seio de vossas mães, como quer. Não há deuses a não ser Ele, o Poderoso, o Sábio. Foi Ele que te revelou o Livro (ó Profeta!). Nele há versículos explícitos: constituem a essência do Livro. Outros são equívocos. Os que têm dúvidas em seus corações seguem o que é equívoco, buscando a discrepância e ansiando pela sua interpretação. Mas a sua interpretação só Deus a conhece. Os sábios dizem: “Cremos no Alcorão. Tudo vem do nosso Senhor.” Mas não o aceitam senão os sensatos.” – Sura “A Vaca” (III, v. 5)
Os versículos explícitos são as leis da Fé, nomeadamente aquelas relacionadas com as orações, casamento, divórcio, jejum e herança. Estas leis distinguem os crentes muçulmanos como uma comunidade independente. Mas quais serão os “equívocos”?
Na Sura “O Muro” (VII, v. 52) está escrito:
“Em verdade trouxemo-lhes um Livro que explicámos em pormenor, com consciência, como guia e misericórdia para aqueles que crêem. Que esperam senão a sua interpretação? No dia em que venha a sua interpretação dirão aqueles que anteriormente esqueceram: “Os Enviados do Nosso Senhor vieram com a verdade, mas temos intercessores? Pois intercederam por nós ou restituam-nos à Terra e faremos qualquer coisa de diferente do que fizemos.” Ter-se-ão perdido a si mesmos e ter-se-ão afastado deles ou deuses falsos que inventavam.”
Pode-se depreender que a interpretação do sagrado Alcorão virá no futuro “Que esperam senão a sua interpretação?” e que quando a Sua interpretação for revelada será rejeitada e encontrará oposição nos esquecidos.
Depois da ascensão dos Imames, os legítimos sucessores do Profeta, quando a interpretação era vislumbrada nenhum dos seus intérpretes reivindicou autenticidade ou origem divina das suas interpretações.

V. Islão um termo específico e geral
“Escolhi-vos o Islão por religião”. – Sura a Mesa (V, v. 39)
“A religião para Deus é o Islão.” – Sura a Família de Imran (III, v. 19)
“Os que desejam renunciar ao Islão para seguir outra religião não serão aceites e na outra vida estarão entre os desventurados.” – Sura a Família de Imran (III, v. 85)
A tradução literal da palavra Islão é submissão. Em termos latos a palavra “muçulmano” significa aquele que se submete à vontade de Deus. Em termos específicos significa aquele que segue a Fé revelada pelo Profeta Maomé. No entanto no Alcorão e de acordo com algumas tradições o significado do termo abrange todas as religiões de Deus.
Na Sura “A Mesa” (V) a palavra Islão representa uma referência específica à religião de Maomé, o Apóstolo de Deus. No entanto, há razões para crer que nos versículos citados na Sura “A Família de Imrán” (III) referem-se à religião em geral como a revelada por Maomé. Isto é demonstrado pelas referência nos versículos que se referem à história dos Profetas que O precederam:
“Recitai-lhes a história de Noé, quando disse às suas gentes: “Meu povo! Se se vos tornou pesada a minha permanência entre vós e a minha contínua pregação dos versículos de Deus, sabei que em Deus me apoio. Ponde-vos de acordo em vossa conduta, assim como os vossos ídolos; imediatamente a vossa conduta deixará de ser uma preocupação para vós. Decidi-vos a meu respeito e não me poupeis.
Se vos afastardes da minha pregação…, pois não vos peço salário. O meu salário só incumbe a Deus, pois me mandou que estivesse entre os submissos.” – Na Sura Jonas (X, v. 71-72)
“Recordai-vos de quando Abraão e Ismael levantaram os alicerces do Templo dizendo: “Senhor nosso! Aceita-nos isto. Tu tudo ouves, és o Omnisciente.”
Senhor nosso! Faz-nos submissos perante Ti, e da nossa descendência fez uma nação a Ti submissa. Ensina-nos as práticas rituais. Perdoa-nos. Tu és o Deus de Perdão, o Misericordioso.” – Sura A Vaca (II, v. 127-128)
“Quem contradirá a doutrina de Abraão, senão quem é insensato? Escolhemos Abraão nesta vida, e ele estará entre os justos no outro mundo.
Recordai-vos de, quando lhe disse o seu senhor: “Submete-te”, respondeu: “Submeto-me ao Senhor dos Mundos.”
Abraão legou a sua submissão a seus filhos, e Jacob, aos seus, disse: “Meus filhos! Deus vos escolheu a religião; cumpri-a para que possais morrer submissos.” – Sura “A Vaca” (II, v. 130-132)
“Fostes testemunhas de que quando se apresentou a morte a Jacob este perguntou aos seus filhos: “Que adorareis depois da minha morte?” Responderam: “Adoraremos o teu Deus, o Deus de teus pais, Abraão, Ismael e Isaac, um Deus único, e a Ele ficaremos submetidos.” – Sura A Vaca (II, v. 133)
“Responderam: Realmente, nós voltaremos ao nosso Senhor.
Não tiras vingança de nós a não ser porque cremos nos prodígios do nosso Senhor quando nos chegam. Senhor nosso! Derrama em nós paciência e faz-nos morrer submetidos à tua vontade!” – Sura O Muro (VII, v. 125-126)
“Recordai-vos de quando inspirei os Apóstolos, dizendo: “Crede em Mim e no Meu Enviado.” Responderam: “Cremos: testemunha que estamos submetidos à vontade de Deus.” – Sura A Mesa (V, v. 111)
Nestes casos o tradutor optou por citações relacionadas com a palavra submissão e não “muçulmano”. Em outras traduções surge a palavra muçulmano, significando que Noé, Abraão, Ismael, Jacob, Moisés, Jesus e Seus discípulos são muçulmanos, apesar de terem vivido antes da Revelação Maometana. De facto há um excerto que demonstra claramente que a terminologia “muçulmano” significa os crentes de qualquer Manifestação Divina durante a Sua Dispensação.
“Aqueles a quem demos o Livro antes deste Alcorão crêem nele. E quando se lho recitam, exclamam: “Cremos nele. É a verdade proveniente do Nosso Senhor! Nós éramos submissos antes da sua chegada!” – Sura “O Relato” (XXVIII, v.52-53).
Aquele a quem foi dado o Livro antes do Advento de Maomé eram “submissos” [muçulmanos], incluindo os Cristãos e os Judeus, que no Alcorão são referenciados como “O Povo do Livro”. Nos versículos citados, Noé, Abraão, Ismael, Jacob, Moisés, Jesus e Seus discípulos são considerados como tal. Além disso, no seguinte versículo Deus confirma as orações de Abraão e identifica os seus seguidores das épocas passadas como sendo muçulmanos:
“Ó vós que credes! Inclinai-vos! Prostrai-vos! Adorai o vosso Senhor! Fazei o bem! Talvez sejais bem-aventurados.
Combatei por Deus como se Lhe deve! Ele vos escolheu. Não vos pôs dificuldade na religião, a doutrina do vosso pai Abraão. Ele chamou-vos muçulmanos antes e neste Alcorão para que O Enviado seja testemunha de vós e vós sejais testemunhas dos homens. Cumpri a oração! Dai esmolas! Acolhei-vos a Deus! Ele é o vosso Senhor! É o melhor Senhor! É o melhor defensor!” – Sura “A Peregrinação” (XXII, v. 77-78)

Unidade de Religião
Dado o facto de o Alcorão explicar que os seguidores das diferentes religiões que antecederam a revelação Corânica professavam o Islão e eram Muçulmanos e considerando o verso que diz: “A religião para Deus é o Islão.” – (Sura “a Família de Imrán” III, v.19). Torna-se evidente que o Alcorão considera as Religiões reveladas como sendo uma só, apesar dos diferentes nomes dos Seus Fundadores e Livros terem florescido em épocas diferentes.
A confirmação surge na Sura “As Mulheres” (IV, v.150-152): “Os que não crêem em Deus nem nos Seus Enviados desejam estabelecer uma distinção entre Deus e os Seus Enviados. Dizem: “Cremos e não cremos nos outros.” Desejam tomar entre aqueles um caminho intermédio. Estes são verdadeiramente os infiéis um tormento desprezível.
Aos que crêem em Deus e nos Seus Enviados e não estabelecem diferenças entre um deles e os restantes, a esses lhes daremos recompensas. Deus é indulgente misericordioso.”

O Significado de Muçulmano e de Islão
Em Bukhári está registada a seguinte tradição atribuída a Maomé: “Um muçulmano é aquele de quem das mãos ou boca não faz sofrer ninguém.”
Nos seguintes versículos os significados de Islão e Muçulmano são explicados.
“Os beduínos disseram: “Cremos.” Responde: “Não credes! Dizei: Islamizámo-nos. “A Fé não entrou em vossos corações. Se obedecerdes a Deus e ao Seu Enviado, Deus não reterá parte nenhuma das vossas obras. Deus é inteligente, misericordioso.” – Sura “Os Aposentos” (LXIX, v.14).
“Os beduínos crêem que te favoreceram ao converterem-se de bom grado. Diz: “Não me favorecestes ao converter-vos ao Islão. Pelo contrário: Deus favoreceu-vos. Conduziu-vos à Fé se sois verdadeiros.” – Sura “Os Aposentos” (LXIX, v.17).
“Na verdade, os que crêem, os que praticam o judaísmo, os cristãos e os sabeus – os que crêem em Deus e no Último Dia e praticam o bem – terão a recompensa junto do seu Senhor. Para eles não há temor.” Sura “A Vaca” (II, 62).
Parece-nos ser importante referir que Maomé neste último refere-se a “os que crêem” e não àqueles que professam o Islão.

VI. Maomé “O Selo dos Profetas”
“Maomé não é pai de um dos vossos homens, mas é o Enviado de Deus e Selo dos Profetas. Deus é sobre todas as coisas omnisciente.” – Sura “Os Partidos” (XXXIII, v.40).
De acordo com o Alcorão e confirmado nos Escritos de Bahá‟u‟lláh, Maomé era simultaneamente um Profeta e um Apóstolo de Deus designado como o “Selo dos Profetas”. A interpretação deste título tem levado a que muitos muçulmanos não aceitem que possa ter havido uma Revelação Divina após a Revelação Maometana. Assim, o aceitar a Fé Bahá‟í colide com a crença de muitos muçulmanos. Será útil tentar estabelecer a diferença entre “Profeta” e “Apóstolo” de Deus, e as diferentes interpretações de “Selo dos Profetas”.
A palavra profeta em árabe é “nábi” que, pela literatura consultada, tem origem no hebraico e que quer dizer vidente ou previsor. No Antigo e Novo Testamento, a maneira de se prever o futuro é através de visões e sonhos. José teve uma visão, Daniel profetizou e São João tinha revelações. O termo Profeta significa Aquele que é inspirado por Deus e, por consequência, aplicável a todas as Manifestações de Deus.
O Alcorão, no entanto, atribui, uma estação mais precisa para um Profeta e um Apóstolo de Deus. Na Bíblia Moisés e Jesus são chamados de Profetas, mas no Alcorão Moisés e Jesus são também referidos como Apóstolos de Deus, enquanto Aarão é designado apenas como Profeta.
“E recorda no Livro a Moisés; foi devoto e foi Enviado, Profeta. Falámo-lhe da vertente direita do Monte Sinai, fizemos que se aproximasse como confidente. E concedemos-lhe, graças à Nossa Misericórdia, como Profeta, o Seu irmão Aarão.”- Sura Maria (XIX, v. 51-53).
“Recordai-vos de quando inspirei os Apóstolos, dizendo: “Crede em Mim e no Meu Enviado.” Responderam: “Cremos: testemunha que estamos submetidos à vontade de Deus.” – Sura A Mesa (V, v.111).
Moisés é então identificado por Deus como Enviado e Profeta simultaneamente: um Enviado porque a Tora foi revelada por Ele e porque um nova lei foi estabelecida; e um Profeta porque Ele próprio seguiu, promoveu e protegeu a Lei durante a Sua vida. Assim, Aarão também era um Profeta porque protegeu a lei estabelecida por Moisés.
Esta é a distinção entre um Apóstolo de Deus, ou Enviado, e um Profeta de Deus, encontrado no Alcorão. O argumento que sendo Maomé o “Selo dos Profetas” e todos os Apóstolos de Deus são Profetas, e que depois de Maomé não haverá mais Manifestações Divinas não tem base no Alcorão nem nas tradições islâmicas.
Numa tradição atribuída a Maomé em Bukhári: “Os filhos de Israel foram governados por profetas. Quando um profeta falecia, outro havia de sucedê-lo. Mas não haverá profetas para Me sucederem, antes haverá Califas (ou Imames)”
Numa outra tradição, o Profeta explica a estação dos Califas (ou Imames) que irão segui-Lo, designando-os por “ulamá” ou sábios:
“Verdadeiramente os ulemás do Meu povo são mais exaltados do que os Profetas dos filhos de Israel.”

Dentro do contexto a reverência com que Bahá‟u‟lláh faz menção do Imame Husayn, filho de Alí e Fátima, filha dilecta de Maomé, deverá ser lembrada.
“Antes de ti não mandámos nenhum Enviado nem Profeta sem que o Demónio deitasse o pecado no seu desejo quando o desejavam mas Deus apaga o que deita o Demónio e em seguida confirma os Seus versículos – Deus omnisciente e sábio.” – Sura “A Peregrinação” (XXII, v. 52).
Torna-se evidente que o sêlo da estação dos Profetas corresponde a uma mudança na administração da comunidade muçulmana, tal como comparando o sistema que era praticado na comunidade israelita durante o ministério de Moisés e o aparecimento de Jesus Cristo. No Alcorão ou nas tradições atribuídas ao Profeta Maomé há menção de “selagem” da estação de Apóstolo, prevendo uma futura Revelação Divina.
Maomé não teve filhos varões, e adoptou um jovem escravo cristão Zayd Ibn Al-Hárithi como seu filho, depois de libertá-lo da escravidão e aceitando o seu pedido voluntário para ficar na casa do Profeta. Os Judeus daquela época tinham-se oposto de forma violenta à nova Revelação, viram uma oportunidade sem precedentes na adopção por parte de Maomé de um filho varão, considerando nisto a dificuldade em deixar descendência como duvidando da Sua estação de Profeta. Eles afirmaram de entre outras coisas que, conhecendo Maomé a história dos Filhos de Israel que foram governados por Profetas após a ascensão de Moisés, ele pretendia copiar o mesmo sistema. Concentraram os seus esforços nesse evento, não só para difamar Maomé mas também para levantar outras tribos contra Ele.
Para refutar estas acusações Ele afirmou: “Maomé não é pai de um dos vossos homens, mas é o Enviado de Deus” seguido por uma afirmação que não haveria Profetas herdeiros na Dispensação Islâmica, isto é Maomé é o “Sêlo dos Profetas”. Assim os argumentos dos inimigos da Fé foram refutados.
O termo “Sêlo” também significa o fim de um ciclo, o ciclo das profecias, que irá dar lugar ao ciclo do cumprimento.

VII. Testemunha, Arauto de Boas Novas e Admoestador
Na Sura (XXXIII, “Os Partidos” v.45) “Profeta! Enviámos-te como testemunha, anunciador, admoestador e missionário que conduz a Deus, com a Sua permissão. Enviámos-te como tocha reluzente.”
Na Sura (VI, “Os Rebanhos” v.48) “Não mandámos os Enviados a não ser como anunciadores e exortadores. Os que crêem e se emendam não temam, pois não estão entre os afligidos.”
Na sura “A Vaca” (II, v.213) “Os homens formavam uma comunidade única, e Deus enviou-lhes os Profetas como anunciadores e admoestadores, e fez chegar através d‟Eles o Livro com a verdade para julgar os homens aquilo em que divergiam.”
No versículo na Sura “Os Partidos”, Deus refere-se ao Profeta Maomé. No versículo referido na Sura “Os Rebanhos” há a utilização de “Nós” (subentendido de acordo com as regras gramaticais do português) como referência para Deus que enviou os Profetas como anunciadores e exortadores.
Na Sura “A Mesa” (V, v.48) “Fizemos-te revelar o Livro com a Verdade, confirmando os Livros que já tinham e vigiando pela sua pureza. Julga entre eles segundo o que Deus revelou e não sigas as suas seduções afastando-te da verdade que te chegou. Instituímos para cada um de vós uma norma, uma lei e um caminho.”
E Jesus é considerado uma testemunha de acordo com o seguinte versículo na Sura “A Mesa” (V, v.46): “Fizemos-te seguir as pegadas dos Seus Profetas a Jesus, filho de Maria, confirmando assim a Tora que já tinham. Demos-lhe o Evangelho: nele há guia e luz. Confirmando assim a Tora que já tinham e era o seu guia, e como exortação para os piedosos.”
Estes versículos significam a unidade essencial dos Profetas e das suas Revelações, nas quais cada um confirmou as leis das Manifestações anteriores. Assim, Moisés foi um verdadeiro Apóstolo de Deus e Jesus foi enviado por Deus para ser testemunho da verdade da Sua Revelação, tal como o Evangelho foi dado à humanidade. Então os judeus e cristãos estão comprometidos em difamações mútuas.
Na sura “A Vaca” (II, v.113) “Os judeus dizem: “Os cristãos não têm fundamento nenhum.” Os cristãos dizem: “Os judeus não têm fundamento nenhum.” Mas todos eles recitam a Escritura. Desta maneira se exprimem os que não sabem. Deus julgará entre eles, no Dia da Ressurreição, no que divergem.”
Mas Maomé veio e testemunhou a estação de Moisés e Jesus, tal como a origem divina da Tora e do Evangelho. Daqui poder-se-á concluir que a próxima manifestação divina dará testemunho de Maomé e do Alcorão, tal como Ele foi testemunha dAqueles que O precederam.
Além disso, Maomé tal como os Profetas que O precederam, avisou para a temível punição daqueles que se recusassem a aceitar a próxima Manifestação, tal como fora profetizada.
Todos os Profetas e Apóstolos de Deus são arautos de Boas Novas, Anunciadores e Admoestadores, tal como anunciado e confirmado nos versículos que abrem este capítulo. É importante reflectir no significado da função dos Profetas, à luz do Alcorão.
De acordo com os seguintes versículos na Sura “Maria” (XIX, v.7): “Zacarias: Nós te anunciamos o nascimento de um menino cujo nome será Yahiya (João). Antes não lhe demos nenhum homónimo.”

Na Sura “A Família de Imran” (III, v.45) “Recorda-te de quando os anjos disseram: Ó Maria! Deus te anuncia um Verbo, emanado dEle, cujo nome é o Messias, Jesus, filho de Maria; será ilustre nesta vida e na outra; e estará entre os próximos de Deus.”
João Baptista e Jesus foram Profetas, cuja vinda foi anunciada por Deus. Jesus era também um Apóstolo. Tal como nos doze filhos de Jacob, só José é referido como anunciador de boas novas porque estava destinado a tornar-se um Profeta.
Maomé foi apontado por Deus como Anunciador de Boas Novas, indica que Lhe estava confiada uma missão e que anunciaria o advento de um futuro Profeta e Apóstolo de Deus. Maomé e o Alcorão têm anunciado as boas novas do advento do Mahdí e da vinda de Jesus Cristo que são O Báb e Bahá‟u‟lláh, respectivamente.

VIII. O Advento de Duas Grandes Manifestações
Em todos os Livros Sagrados o advento de duas Grandes Manifestações é anunciado. No Alcorão a Sua vinda é designada de entre outros nomes por “Grande Anúncio”. Para os muçulmanos as duas manifestações vindouras são designadas por “Imame Máhdi” e “Messias”.
É crença de quase todos os muçulmanos, tanto xiitas como sunitas, as duas grandes ramificações do mundo islâmico, que o Messias reinará no mundo de acordo com a Sharia e aplicando a leis curânicas a toda a humanidade.
Citamos a Sura da Ressurreição (LXXV, v 6), citando, “Pergunta: “quando será o Dia da Ressurreição?” Quando a vista fique deslumbrada, a lua eclipsada e o Sol e a Lua estejam em conjugação.”
O Sol e a Lua são as Manifestações Gémeas.
Há muitas passagens que no Alcorão indicam a ocorrência de dois eventos gémeos no Dia da Ressurreição.
Na Sura “Os que arrastam”(LXXIX, v 6-14):
“No dia em que ressoe a trombeta e lhe siga um ressoar ainda mais forte, nesse dia os corações palpitarão, os olhos se humilharão. Os descrentes perguntam: “Então nós seremos restituídos à Terra quando formos ossos carcomidos?” acrescentam: “Isso, então, seria um retorno desastroso.” Só se fará ressoar uma vez a trombeta, e imediatamente estarão na Terra.”
Os versículos indicam que haverá dois violentos e consecutivas embates e que “só se fará ressoar uma vez a trombeta” o que poderá indicar que serão dois acontecimentos num curto espaço de tempo.
Há outros versículos no Alcorão que retracta o mesmo tema, é exemplo a Sura “Os Grupos” (XXXIX, v 68-69):
“Soprar-se-á na Trombeta, e os que estejam nos céus e os que estejam na Terra – com excepção daqueles que Deus quiser – serão fulminados. Depois soará a trombeta outra vez, e então se porão de pé, admirados.
A Terra iluminar-se-á com a luz do seu Senhor. Colocar-se-á o Livro e trar-se-á aos Profetas e aos mártires. Julgar-se-á entre os homens de acordo com a verdade; eles não serão confundidos.”
Sura “Ó Humanidade” (XXXVI, v. 51-53):
“O toque da trombeta soará e os mortos correrão para junto do seu Senhor. Aquele que tudo criou e para quem todos hão-de regressar. Então sabereis a verdade e exclamareis: “Pobres de nós! Quem nos tirou do nosso leito? Os mensageiros falavam então verdade!” Verdadeiramente bastará só um grito Nosso e eles serão trazidos para junto de Nós.”
Poder-se-á considerar o significado destes versículos como a vinda de uma Manifestação Gémea.

IX. Jesus e João
Na Sura de Maria (XIX, v12) é feito referência a João Baptista: “João toma o Livro com fervor e devoção”. Demo-lhe na sua meninice a sabedoria. A piedade e a pureza vindas de nós. Foi temente a Deus. Foi bom para seus pais; não foi violento nem desobediente. Paz sobre ele no dia em que nasceu, no dia em que morreu e no dia em que seja restituído à vida!”. Na mesma Sura no versículo 30 a 34 há referência a Jesus: “Eu sou servo de Deus. Ele me dará o Livro e me fará Profeta. Abençoa-me onde quer que esteja e prescreveu-me, enquanto viva, a oração e a esmola. E também o carinho filial por minha mãe. Deus não me fez violento orgulhoso. Tenho a paz desde o dia em que nasci, assim como no dia em que morrer e no dia em que for restituído à vida.” Este é Jesus, filho de Maria, Verbo da Verdade sobre o qual discutem os cristãos.”
Estes versículos indicam claramente que João, filho de Zacarias, e Jesus, filho de Maria, voltarão à vida em certo dia.
Tanto o Alcorão como o Antigo e Novo Testamento fazem menção de um sinal específico para o regresso de Jesus Cristo. O sinal é o aparecimento de João Baptista que anunciou a vinda da Grande Manifestação. No final de sua vida João Baptista sacrificou a sua vida pela gloriosa Manifestação, como testemunho para o povo.
Da mesma forma a vinda do Messias haveria de ser precedida pelo Percursor que será “restituído à vida”. Da mesma forma Bahá‟u‟lláh refere-se ao Báb como a “Minha primeira aparição”.

A função das duas Manifestações divinas
Na Sura “A Mesa” (V, v. 59-60):
“Diz “adeptos do Livro! Que censurais em nós senão que cremos em Deus, no que foi revelado e no que se revelou anteriormente?” Na vossa maior parte sois perversos.
Diz: “poderei anunciar-vos um caso pior do que aquele?” Aqueles que Deus amaldiçoou, com os quais Se encolerizou e os metaformoseou em macacos e porcos, e os que adoram a Satanás, todos terão um lugar pior, pois são os mais extraviados do bom caminho.”
As pessoas do Médio Oriente consideram o porco como representando imundice e os macacos representando a fealdade. Esta metamorfose significará que os seus princípios degenerarão.
O Báb e Bahá‟u‟lláh declararam a Sua missão como sendo a de libertar da flama da injustiça o Mundo e instituírem elevados padrões morais na conduta dos povos. O Báb e Bahá‟u’lláh aboliram as guerras defensivas e a imposição de taxas que faziam parte da lei islâmica. As nações antagonistas serão reconciliadas e as diferentes causas de conflito serão abolidas. A justiça e a harmonia serão estabelecidas e a bandeira da Paz Universal será içada conforme a Sura “Ó Humanidade” (XXXVI, v 58):
“Nós dir-lhe-emos: Somente estais em paz junto do vosso Senhor misericordioso.”

X. A Revelação Progressiva
Historias acerca dos Profetas e Apóstolos de Deus e a forma como diferentes povos argumentaram e se opuseram perante Eles está descrito na Sura de Hud:
“Enviámos Noé ao seu Povo. Disse-lhes “Eu sou um admoestador explícito para vós. Não adoreis senão a Deus! Eu temo para vós o tormento de um dia doloroso.” Os grandes dos que, entre seu povo, não acreditavam responderam: “Não te vemos senão como um mortal, semelhante a nós, e não vemos que te sigam, sem reflexão, a não ser aqueles que inferiores a nós. Não vemos em vós nenhum favor que vos situe sobre nós; pelo contrário, consideramo-vos impostores.”(Sura de Hud, XI, v.25-27)
Isto é a forma como o povo considerou Noé. Esta mesma atitude aconteceu com o povo de „Ád relativamente ao Apóstolo Hud, o de Tamúd face a Sáli, os faraós face a Moisés, os Judeus face a Jesus e o povo de Quaraysh face a Maomé.
“Quando se lhes diz: “Vinde até à verdade que Deus revelou ao Seu Enviado”, respondem: “Basta-nos o que encontrámos proveniente de nossos pais.” “E se os seus pais não estavam no bom caminho?” (Sura “A Mesa, V, v. 104)
A mesma questão poderá ser colocada aos muçulmanos. Se Maomé era para ser o último porque razão o Alcorão anuncia o retorna do Messias e as tradições referem-se à vinda do Mahdi?
Estas questões são colocadas para se entender um correcto conhecimento do significado de “Selo dos Profetas” e “a verdadeira Religião de Deus é o Islão”. Ao fim e ao cabo cada nação considera a sua religião como a final e definitiva mas existe uma religião progressiva e não final, tal como o conhecimento é relativo e não absoluto. De facto, de acordo com o Alcorão apenas uma pequena porção foi dada entre os muçulmanos:
“Perguntam-te acerca do Espírito. Responde: O Espírito pruvem da Ordem do meu Senhor: apenas se vos deu uma parte da ciência.” (Sura “A Viagem Nocturna”, XVII, v.85)
Pode-se comparar a confirmação no Alcorão que o conhecimento de Deus e as Palavras de Deus são infinitas:
“Se todas as árvores que há na Terra fossem cálamos e o mar; aumentado com outros sete mares, fosse tinta, esgotar-se-iam a escrever, mas as palavras de Deus não se esgotariam. Deus é poderoso, sábio.” (Sura “Lucmen, XXXI, v.27)
Sura “A Caverna” (XVIII, v.109): “Diz: “Se o mar fosse tinta para escrever as palavras do meu Senhor, o mar, ainda que lhe acrescentasse outro igual, esgotar-se-ia antes que se esgotassem as palavras do meu Senhor.”
Jesus é considerado o Verbo. Na Sura “A Família de Imrán” (III, v.45): “Recorda-te de quando os anjos disseram: “Ó Maria! Deus te anuncia um Verbo, emanado dEle, cujo nome é o Messias, Jesus, filho de Maria: será ilustre nesta vida e na outra; e estará entre os próximos de Deus.”
Como poderá um povo imaginar que não existirá mais nenhuma Revelação a ser-lhe enviada? Perante a validade destes argumentos, os ulemás têm citado versículos que confirmam que as Suas Palavras são infinitas e não podem ser limitadas, considerando que aquelas que foram reveladas no Alcorão são as ciências e as artes da mente humana que no momento certo poderão entender o que foi revelado no Alcorão. Mas tal explicação é incompatível com os seguintes versículos:
Sura “A Viagem Nocturna” (XVII, v.85): “Apenas se vos deu uma parte da ciência.”
Sura “Al-Hichr” (XV, v.21): “Nada existe se não tem as suas reservas junto de Nós. Não o enviamos se não é em quantidade determinada.”
Respondendo à rejeição dos Judeus para com Jesus e Maomé, e relativamente ao facto de considerarem não haver Revelação Posterior, revelou:
Sura “A Mesa” (V, v.64): “Os judeus dizem: “A mão de Deus está cerrada.” Cerrem-se as suas mãos e sejam malditos pelo que disseram. Não! Tem ambas as mãos estendidas, dando os Seus favores a quem quer. O que se te revelou, proveniente do teu Senhor, aumenta muito entre eles a rebelião e a impiedade. Lançámos contra eles a hostilidade e ódio até ao Dia da Ressurreição.”
A referência de “A Mão de Deus está cerrada” descreve uma concepção errada da percepção de que Deus não é Todo-Poderoso para enviar um mensageiro. Em termos explícitos o Sagrado Alcorão explica como cada uma e todas as nações têm recusado um Apóstolo de Deus que lhes é enviado, no entanto esta lamentável atitude não tem impedido Deus de enviar os Seus Apóstolos, uns após os outros:
Na Sura “Os Crentes” (XX, v.44): “Mandámos os nossos Enviados sucessivamente. Cada vez que uma comunidade chegava ao seu Enviado, esta O refutava. Fizemo-lo suceder umas às outras e pusemo-las nas lendas. Longe daqui as gentes que não crêem!”
Se o Alcorão fosse a última revelação divina certamente estes versículos seriam supérfluos. Os versículos indicam que existe um tempo determinado e que o povo, uma vez mais, nega o aparecimento do Apóstolo de Deus e é um aviso aos Muçulmanos, e existe um versículo que os aconselha a reflectir sobre a autenticidade das notícias ou uma clarificação:
Sura “Os Aposentos” (XLIX, v.6): “Ó vós que credes! Se um perverso vos traz uma notícia, distingui o verdadeiro do falso: não ides afligir umas gentes por ignorância, pois logo vos arrependeríeis do que houvésseis feito.”
O significado de “notícia” ou “clarificação” é o advento de um Apóstolo ou Profeta.
Como se poderá distinguir entre a notícia verdadeira e a falsa? A resposta para o pesquisador é dada no seguinte versículo: “Temei a Deus. Pois Deus vos ensinou e Deus é omnisciente sobre todas as coisas.” Sura a Vaca (II, v.282)

XI. Um Termo Certo Para Cada Nação
A crença de que Maomé é o “Selo dos Profetas” e de que seria o último Mensageiro de Deus enviado à humanidade conduz a que os Seus seguidores concluam que o estado islâmico seria a última nação religiosa tal como o seu povo. No entanto, o Alcorão indica claramente que a nação islâmica não é a última, e os seus representantes fazem parte de um estado intermédio no desenvolvimento espiritual da humanidade.
Sura “A Vaca” (II, v.143): “Assim fizemos de vós uma comunidade moderada para que sejais testemunhas, frente à gente, e seja testemunha o Enviado frente a vós.”
A identificação dos Muçulmanos como uma “comunidade moderada”, não é apenas referente ao povo que a antecedeu mas também pressupõe que outro o irá seguir, guardado o princípio da continuidade da religião tal como confirmado no Alcorão:
Sura “O Muro” (VII, v.35): “Filhos de Adão! Chegar-vos-ão Enviados saídos de entre vós que vos recitarão os Meus versículos. Os que temem e se emendem não receiem pois não serão apoquentados.”
Este versículo dirigido aos “filhos de Adão” assegura à humanidade que Enviados continuarão a ser enviados por Deus, sem afirmarem a continuação do estatuto dos Profetas.
O seguinte versículo do Alcorão aponta para a continuidade da Revelação Divina:
Sura “O Muro” (VII, v.34): “Cada comunidade tem um prazo, e quando chega o seu prazo não pode atrasá-la nem adiantá-la um momento.”
Sura “Os Crentes” (XXIII, v.43): “Comunidade nenhuma adianta ou atrasa o seu termo.”
Sura “O Trono” (XIII, v.38-39): “…Cada época tem um Livro. Deus apaga e confirma o que quer; junto de Si tem a essência do Livro.”

O Termo para a Nação Muçulmana
O “termo fixo” de uma nação pode ser comparada com a de uma pessoa em que o seu período de vida é conhecido quando a pessoa ascende e não antes disso. A Dispensação Islâmica tem o seu “período fixo” que pode ser encontrado na interpretação dos versículos figurativos do Alcorão, que permanecem junto de Deus e aqueles a quem foi dado o conhecimento (Os Imames) até á vinda do Prometido. O fim do termo da nação Muçulmana ocorreu no ano 1260 (1844 D.C.), com o aparecimento do Báb e a revelação do Seu Livro, o Bayán. Quanto a esse evento o Alcorão é óbvio no seguinte versículo:
Sura “A Prostração” (XXXII, v.5): “Dispõe a Ordem do Céu para a Terra. Depois remonta a Ordem para Ele num dia cuja medida são mil anos dos que contais.”
Há dois períodos no ciclo Islâmico. O segundo a que o versículo se refere, é um período de tempo de mil anos lunares e foi um tempo designado para o povo para quem a Revelação tinha ido enviada. O primeiro período corresponde ao ministério de Maomé, acrescido dos doze Imames que eram Seus descendentes de acordo com a tradição: “Deixo-vos dois testemunhos, o Livro de Deus e Meus Descendentes”. Eles prolongaram o jorrar da Fonte Divina. Algo diferente do cristianismo, em que a Revelação terminou após a ascensão de Jesus.

O último dos Imames faleceu no ano 260 e depois completou-se o período de 1000 anos mencionado no versículo, tendo o Báb surgido no ano 1260 (1844 D.C.)
O Sêlo dos Profetas e a Lei Islâmica
A crença de que o Islão é a religião definitiva tem conduzido a que os muçulmanos considerem a Sharí‟ah como a última lei de Deus a ser enviada à humanidade. No entanto, as leis islâmicas foram enviadas em anteriores dispensações, tal como referido na Sura “O Conselho” (capítulo VI), diferindo umas das outras de acordo com as exigências da altura que Deus, na Sua sabedoria, considerou necessário
Pensamos também ser importante referir que Maomé durante o Seu ministério modificou algumas das leis, tal como a mudança do Quiblih, a direcção à qual os crentes devem fazer as suas orações. No período inicial o Quiblih era Jerusalém. O Todo-poderoso então ordenou ao Apóstolo que dirigisse a Sua face para Ka‟bah, em Meca, que se tornou o Quiblih para o mundo Islâmico.
Sura “A Vaca” (II, 142): “Os homens insensatos dirão: “Quem os fez abandonar a Quibla que tinham?” Respondei: “O Oriente e o Ocidente pertencem a Deus; Ele guia a quem quer para o bom caminho.”
No caso do álcool a lei foi revelada progressivamente:
Sura “A Vaca” (II, v.219): “Perguntam-te sobre o vinho e o jogo do azar. Responde: “Em ambas as coisas há grande pecado e utilidade para os homens, mas o pecado é maior que a sua utilidade.”
Sura “As Mulheres” (IV, v.43): “Ó vós que credes! Não vos acerqueis da oração se estais ébrios, até que saibas o que dizeis…”
Sura “A Mesa” (V, v.90): “Ó vós que credes! Na verdade, o vinho, o jogo de azar, os ídolos e a superstição são abominações provenientes da actividade de Satanás. Evitai-a! Talvez sejais bem aventurados!”
Durante todo o período do ministério de Maomé houve mudanças na lei Islâmica, representando uma evolução gradual na lei Divina. Isto pode ser entendido como a necessidade de mudança nas leis divinas de uma religião para outra, em diferentes épocas, diferentes povos e diferentes locais na Terra. Daí que na Sura “O Conselho” seja explicado que as leis tenham sido enviadas a Noé, Abraão, Moisés e Jesus e mais tarde revelada aos muçulmanos que deverão seguir a Religião e não dividi-la, é lógico que enquanto a religião é só uma, as leis mudam de uma Revelação para a outra. A ausência de argumentos lógicos para o entendimento que a Sharí‟ah é eterna torna-se contraditória com o estudo do próprio Alcorão, que mais uma vez descreve as Sagradas Escrituras pelo mesmo nome, apesar da reivindicação avançada pelos seguidores das religiões anteriores.
Sura “A Distinção” (XXV, v.1): “Bendito seja quem revelou aos Seus servos a verdade, para que fosse uma admoestação para os mundos!”
Sura “Os Profetas” (XXI, v.49): “Realmente, demos a Moisés e a Aarão a distinção, guia e admoestação para os piedosos.”
Nesses dois versículos tanto no Alcorão como a Tora no original árabe surgem descritos como “Al-Furkan”, sendo traduzidos como “verdade” e “distinção”, ainda que as leis reveladas nesses Livros não fossem as mesmas.

Cada Nação tem a sua Própria Lei
O Alcorão explica que Deus revelou a cada povo um número determinado de leis a serem seguidas.
Sura “A Mesa” (V, v.48): “Fizemo-te revelar o Livro com a Verdade, confirmando os Livros que já tinham e vigiando a sua pureza. Julga entre eles segundo o que Deus revelou e não sigas as suas seduções afastando-te da verdade que te chegou.
Instituímos para cada um de vós uma norma, uma lei e um caminho.
Se Deus quisesse, ter-vos-ia reunido numa comunidade única, mas dividiu-vos com o fim de vos pôr à prova no que vos deu.”
Nestes versículos, Maomé revelou novas leis que ab-rogaram as anteriores e ao mesmo tempo confirmou a origem divina das Revelações anteriores. A alteração das leis surge para benefício de toda a humanidade. Quando uma lei caduca, uma outra vem substitui-la. Não só uma nova Revelação inclui uma nova série de leis, como os rituais também estão sujeitos a mutação.
“Demos aos membros de cada comunidade um rito que eles seguem. Que não discutam contigo acerca da Ordem! Invoca o Teu Senhor! Tu estás no bom caminho. Se discutem contigo diz: “Deus conhece o que fazeis. Deus julgará de entre vós no Dia da Ressurreição acerca daquilo em que divergis.” Sura “A Peregrinação” (XXII, v.67-69)
Enquanto Maomé trouxe a nova lei que Lhe foi revelada, Deus prometeu no Alcorão que Ele Próprio irá julgar os povos no Dia da Ressurreição naquilo que os diferencia.
Para aqueles que duvidam que Deus pode ab-rogar os versículos por Ele revelados, o Alcorão confirma-o:
“Não abrorrogamos nenhum versículo, nem o fazemos esquecer da tua memória ou trocar por outro melhor ou parecido. Não sabeis que Deus tem poder sobre todas as coisas?” Sura “A Vaca” (II, v. 106).
O Desejo de Deus: A Humanidade como “Um Nação”
“Se Deus quisesse, ter-vos-ia reunido numa comunidade única…” Sura “A Mesa” (V, v.48).
“Se Deus quisesse, teria feitos dos homens uma comunidade única. Mas eles não cessam de se opor.” Sura “Hud” (v.118).
“Se Deus quisesse, faria deles uma comunidade única, mas introduz na Sua misericórdia a quem quer. Os injustos não terão amigos nem defensor.” Sura “O Conselho” (XLII, v.8).
“Se Deus quisesse, teria feito de vós uma comunidade única, mas extravia a quem quer e conduz a quem quer. Perguntar-se-vos-á acerca do que tiverdes feito.” Sura “A Abelha” (XVI, v.93).
Se essa for a vontade de Deus, todos os povos da Terra tornar-se-ão uma só comunidade, um evento que ocorrerá num tempo somente conhecido por Deus e apontado previamente por Ele. Naquele Dia, todos serão esclarecidos sobre as diferenças que lhes sobrevêm e ser-lhes-ão explicadas e todos serão julgados segundo os seus actos.

XII. A Ressurreição
Povos de todas as Religiões têm esperado o advento de um “Dia” de significado particular. A este “Dia” tem sido atribuídas várias designações no Alcorão, incluindo:
O Grande Dia

  • (Al – „Azim) 7:59 , 10:16*
  • O Dia da Ressurreição
  • (Al – Qíyáma) 2:85 , 2:174
  • O Dia da Decisão
  • (Al – Fasi) 44:40, 77:13 , 77:14
  • O Dia quando chegar a Hora
  • (Al – Sá‟ah) 30:14 , 30:55
  • O Dia do Juízo
  • (Al – Din) 51:12
  • O Dia da Reunião
  • (Al – Taghábun) 64:9
  • O Dia do Juízo
  • (Al – Hísab) 38:16, 26, 53
  • *Dia Solene

Este evento é referido como indo ocorrer em determinado dia mas também:
“Nesse dia se dará o acontecimento, e o céu se rasgará, e nesse dia carecerá de consciência.” Sura “O Inevitável” (LXIX, v. 15-16)
“A calamidade. Que é a calamidade? Como a conheceremos?” Sura “A Calamidade” (CI, v. 1-3)
“Não fica nada nem deixa nada sem consumir. Devora os humanos: acima de si há dezanove anjos.” Sura “O Enroupado” (LXXIV, v.28-30)
“Chegou-te o relato do evento assolador” – Sura “O Evento Assolador” (LXXXVIII, v.11)
O que acontecerá nesse dia assolador?
Tal como no cristianismo, são esperados eventos tais como o céu e a terra a serem destruídos, as estrelas a caírem, a lua a não brilhar, o sol a cessar de dar a sua luz, resultando em completa escuridão, em que aqueles que vivem morrerão. É crença que Deus sentar-se-á no Seu trono, rodeado pelos Apóstolos, profetas e anjos. O equilíbrio do mundo será alterado e os mortos levantar-se-ão das suas sepulturas para passarem por um processo de julgamento. Os bons serão enviados para um paraíso como uma recompensa eterna e os maus serão enviados para o inferno como uma eterna punição. Muitos muçulmanos crêem que apenas aqueles que professam o Islão poderão esperar alcançar o Paraíso, estado de espírito enraizado em seguidores de outras religiões.
Estas são as expectativas comuns acerca dos eventos que ocorrerão no Dia da Ressurreição, o que é incompatível com os actuais conhecimentos científicos.
Parece-nos ser importante referir dois versículos no Alcorão que tratam da questão de quem entrará no Paraíso.
“Disseram: “não entrarão no Paraíso senão os que sejam judeus ou cristãos.” Esses são os seus desejos. Dizei-lhes: “Dai a vossa prova, se sois verdadeiros.”
Sem dúvida que os que se submetem a Deus e praticam o bem terão a recompensa junto ao seu Senhor. Não tendes pois que ter temor.” – Sura “A Vaca” (II, v. 111-112)
A ideia da entrada no paraíso ser limitada, de acordo com o ensinado pelos líderes religiosos, é contrária ao versículo corânico que ensina que a entrada no Paraíso está dependente da submissão à vontade de Deus.

A Hora
O Alcorão refere-se ao Dia da Ressurreição como um dia abençoado e uma calamidade. “A Hora”, o Alcorão explica, é determinado somente por Deus – tal como em Mateus 24 : 36: “quanto a esse dia e a essa hora , ninguém sabe, nem os anjos do Céu, nem o Filho, mas somente o Pai.”
“Interroga-te acerca da Hora: “Quando será a sua chegada?” Responde: “O seu conhecimento está junto do meu Senhor. Ninguém o manifestará no seu momento senão Ele. Só vos chegará de imprevisto.”
Perguntam-te como se Tu a conhecesses. Responde: o seu conhecimento está junto de Deus, mas a maior parte dos homens não o sabe.” – Sura “O Muro” (VII, v.186-187)
“Os homens perguntam-te acerca da Hora do Juízo. Responde: “O seu conhecimento está junto de Deus.” Que te pode informar? Talvez que a Hora esteja próxima.” – Sura “Os Partidos” (XXXIII, v.63)
“Perguntam-Te acerca da Hora: “Quando será a sua chegada?
Que sabes dela?”
O seu prazo cabe ao Teu Senhor:
Tu não és mais que um admoestador dos que a temem.
No dia em que a vejam parecer-lhes-á que não permaneceram nos seus túmulos mais do que a véspera da madrugada.”
– Sura “Os que Arrastam” (LXXIX, v.42-46)
“Os que não crêem dizem: “A Hora não nos chegará.” Responde: “Sim! Pelo Meu Senhor! Chegar-vos-á! Juro-vos pelo meu Senhor, que conhece o oculto, a quem não escapa nem o peso de um átomo, nem tão-pouco o que é menor ou maior do que isso, do que há nos Céus e na Terra, em que esteja escrito num Livro explícito” – Sura “Os Habitantes de Sabá” (XXXIV, v. 3)
“Esperam que a Hora lhes chegue de súbito? Já chegaram as Suas condições. Como terão, quando lhes chegue, a Sua Instrução?” – Sura “Muhammad” (XLVII, v.18)
“Os que não crêem não deixarão de estar em dúvida a respeito da Revelação, até que de súbito lhes chegue a Hora ou o tormento de um dia estéril.
O poderio então pertencerá a Deus, que julgará entre eles. Os que tenham acreditado e tenham praticado o bem serão introduzidos em jardins de sonho.
Mas os que não tenham acreditado e tenham recusado os Nossos versículos, esses terão um tormento desprezível.”
– Sura “A Peregrinação” (XXII, v. 55-57)
De acordo com os versículos expostos, é óbvio que a Hora surgirá de forma inesperada e surpreenderá os povos. As profecias serão cumpridas, os bons serão abençoados e os maus sofrerão perante a catástrofe. Também está subjacente que a Hora está próxima de acordo com os sinais que surgiram no tempo de Maomé.
Há uma questão que se poderá colocar:
Os sinais dizem respeito á nossa geração ou aquela que virá? Quais os sinais anunciados que surgirão, de acordo com o seguinte versículo do Alcorão
“…Nada descuidámos no Livro…” – Sura “Os Rebanhos” (VI, v.38)
Se eventos semelhantes aqueles ocorrido na “Hora” já ocorreram, poder-se-á concluir que através desses sinais ela poderá ser reconhecida.
A Sura de Hud é uma das que relembra aos muçulmanos que a “Hora” está determinada por Deus, tal como em anteriores Manifestações – uma hora em que haverá bênçãos e calamidades. Uma hora que virá, tal como ocorreu anteriormente, sobre as nações, sendo louvados os que acreditaram e repudiados os que negaram. Um outro sinal é que um novo Apóstolo pode surgir e cumprir a sua missão enquanto os descrentes olham com dúvida para a Sua missão. A sua punição predita pelo Apóstolo:
“Se lhe adiamos um tormento até uma geração determinada dizem; “Que contém?” no dia em que lhes chegue o tormento, este não se afastará deles e lhes cercará aquilo que zombavam.”
– Sura de Hud (XI, v.8)

A Sura de Hud
“Alif, lam, ra. Este é o Livro que tem os seus versículos confirmados e elucidados pelo Sábio, pelo Omnisciente.
Não adoreis senão a Deus! Eu sou, vindo da Sua parte, um admoestador e um anunciador para vós.”
– Sura de Hud (XI, v.1-2)
Nos primeiros vinte e quatro versículos desta Sura é explicado o que aconteceu aqueles que não acreditaram na palavra de Deus. A Sura mostra um sério aviso de como outras nações sofreram provações porque se recusaram em acreditar no Apóstolo que lhes foi enviado.
Noé e o Seu Povo
“Enviámos Noé ao seu povo. Disse-lhes: “Eu sou um admoestador explícito para vós.
Não adoreis senão a Deus! Eu temo para vós o tormento de um dia doloroso.”
Os grandes dos que, entre o seu povo, não acreditavam, responderam: “ não te vemos senão como um mortal semelhante a nós, e não vemos que te sigam, sem reflexão, a não ser aqueles que são inferiores a nós. Não vemos em vós nenhum favor que vos situe sobre nós; pelo contrário, consideramo-vos impostores.””
– Sura de Hud (XI, v.25-27)
“Até que quando chegou a Nossa Ordem e brotou a água do forno, dissemos: “carrega a arca com todas as parelhas de dois animais, macho e fêmea; a tua família, com excepção daqueles a quem precedentemente se lançou a palavra de maldição, e quem crê”; mas poucos eram os que acreditavam com Ele.”
– Sura de Hud (XI, v.40)
Hud e o Povo de A‟ad
“Enviamos às gentes de A‟ad o homem da sua tribo, Hud. Disse: “Meu povo! Adorai a Deus; não tendes outro deus senão Ele. Não passais de impostores.”
– Sura de Hud (XI, v.50)
“Responderam: “Hud! Não nos trouxeste uma prova. Não abandonamos os nossos deuses pelo que dizes. Nós não cremos em ti.”
– Sura de Hud (XI, v.53)
“Quando veio a Nossa Ordem, salvámos a Hud e aqueles com que Ele criam, mediante misericórdia proveniente de Nós, e salvámo-los de um duro tormento.
Esses, os de A‟ad, negaram os versículos do seu Senhor, desobedeceram aos Seus Enviados e seguiram a ordem dos homens insensatos, de maneira pertinaz.
Neste Dia e no Dia da Ressurreição perseguí-los-á a maldição. Os de A‟ad não acreditaram no seu Senhor! Longe daqui, povo de A‟ad, gentes de Hud!”
– Sura de Hud (XI, v.58-60)

Saléh e o Povo de Çamudes
“Enviámos aos Çamudes o homem da sua tribo, Saléh. Disse: “Meu povo! Adorai a Deus, não tendes outro deus senão Ele! Ele vos formou a partir da Terra e vo-la fez habitar. Pedi-Lhe perdão e voltai para Ele. Na verdade, o meu Senhor está próximo.”
Responderam: “Saléh! Antes disto foste para nós motivo de esperança, e agora proíbes-nos que adoremos o que adoravam os nossos pais? Nós, realmente, estamos numa grande dúvida quanto a que nos propões.”
– Sura de Hud (XI, v.61-62)
“Quando veio a Nossa Ordem, salvámos a Saléh e aos que com ele acreditavam, mediante a misericórdia proveniente de Nós, da humilhação desse dia. Na verdade, o teu Senhor é o Forte, o Poderoso.
O terramoto apoderou-se dos que forma injustos, e apareceram em suas casas, pela manhã, mortos de bruços.”
– Sura de Hud (XI, v.66-67)
Acerca do que ocorreu com o povo de Çamud, o Alcorão indica que um terramoto os destruiu:
“O terramoto apanhou-os e em suas casas amanheceram mortos de bruços.”
– Sura “O Muro” (VII, v.78)
O Povo de Abraão
“Mas respondemo-Lhe: “Abrãao! Deixa isto! Na verdade, veio a Ordem do Teu Senhor e chegar-lhes-á, sem remédio, um tomento.”
– Sura de Hud (XI, v.76)
O Povo de Lot
“Quando veio a Nossa Ordem, pusemos a cidade de baixo para cima e fizemos chover pedras de argila sem interrupção.
Elas vinham marcadas pelo teu Senhor. Estas pedras não estão afastadas dos injustos.”
– Sura de Hud (XI, v.82-83)

Xuaib e Povo de Madianitas
“Enviámos aos madianitas o homem da sua tribo, Xuaib. Disse: “Meu povo! Adorai a Deus. Não tendes outro Deus senão Ele…..Responderam: Xuaib! A tua oração manda-te que abandonemos o que os nossos pais adoravam ou que não façamos de nossos bens o que quisermos? Tu, realmente tu, és o Bondoso, o Recto?”
– Sura de Hud (XI, v. 84-87)
“Responderam: “Xuaib! Não compreendemos grande parte do que dizes. Vemos-te fraco entre nós e se não fosse pelo teu clã já te teríamos maltratado. Tu não tens poder sobre nós.”
– Sura de Hud (XI, v.91)
“Quando veio a Nossa Ordem, salvámos a Xuaib e aos que com ele acreditavam, mediante misericórdia proveniente de Nós. O terramoto apoderou-se dos que forma injustos, e apareceram em suas casas, pela manhã, mortos de bruços.”
– Sura de Hud (XI, v.94)
o Povo de Noé foi avisado de que “de um dia doloroso” se abateria sobre eles. Ao de A‟ad foi-lhe falado da “maldição” que ocorreria no “Dia da Ressurreição”. O “terramoto” é o que ocorrerá ao povo de Çamudes. Da mesma forma o Alcorão fala da chuva de pedras que se abateu sobre Lot, e uma violente tempestade castigará o povo de madianitas. Também é relatada a história do faraó, tal como a história de como Moisés e Jesus foram rejeitados perante a quem apareceram.

O Inevitável
O que ocorreu com o povo de A‟ad e com os Çamudes também é explicado na Sura “O Inevitável” (LXIX), onde está escrito que essas nações foram destruídas por não acreditarem nos Enviados e terem desprezado as Suas admoestações.
É referida uma próxima calamidade:
“O inevitável.
O que é inevitável?
Que te fará saber o inevitável?
As gentes de Çamud e de A‟ad recusaram-se a crer no que aterroriza.
O povo de Çamud foi aniquilado pelo fogo do Céu.
O povo de A‟ad foi aniquilado pelo vento aquilão e impetuoso.
Devias ter visto as gentes derrubadas, como se fossem troncos de palmeira, ocos!”
– Sura “O Inevitável” (LXIX, v 1-7)
Na Sura “A Calamidade” (CI), os muçulmanos são avisados da vinda de uma calamidade perante a qual não deverão duvidar, correndo o risco de ocorrer algo de semelhante aos povos de Çamud e A‟ad.
“A calamidade!
Que é a calamidade?
Como a conheceremos?
No dia em que os homens esvoaçarem como borboletas livres e os montes parecerem de lã macia.”
– Sura “A Calamidade” (CI, v1-5)
As imagens transmitidas nestas duas suras transportam uma lembrança próxima. Na primeira é descrita como tendo o povo ficado “mortos de bruços”, enquanto na segunda são referidos como “troncos de palmeira”. Estas imagens significam que a arrogância dos incrédulos ser-lhes-á punida.
O Alcorão indica que certas nações tiveram os seus dias de julgamento quando os Apóstolos Enviados por Deus as chamavam para aceitarem a nova Revelação e somente poucas pessoas a abraçaram. A nação islâmica também foi avisada que um dia, em todas as religiões há uma “volta”, O Dia do Julgamento:
“Aproxima-se o momento de prestarem conta os homens, mas estes negligentes, estão afastados.
Não lhes chega nenhuma admoestação nova proveniente do seu Senhor sem que a escutem, mas tomam-na com leviandade.”
– Sura “Os Profetas” (XXI, v.1-2)
Uma “mensagem” ou uma “admoestação” é uma Revelação, tal como especificado em muitos versículos no Alcorão:
“Dizem: “Oh, este a quem foi revelada a Mensagem! Tu és um energúmeno?””
– Sura “Al-Hichr” (XV, v.6)
“Fazemos descer a admoestação e somos seus protectores.”
– Sura “Al-Hichr” (XV, v.9)
O Alcorão, o Evangelho e a Tora referem-se muitas vezes às “admoestações” (ou avisos) ou mensagens, avisando a humanidade da vinda de uma nova Revelação e o Dia da ressurreição que está perto.
“Quantas cidades, que foram injustas, despedaçámos! Depois instalámos nelas outras gentes.”
– Sura “Os Profetas” (XXI, v.11)
Parece-nos ser evidente que o facto de terem sido revelados estes acontecimentos em civilizações anteriores aquelas que estavam presentes, é uma admoestação dada à nação islâmica para quando a nova Revelação vier ter com ela não a repudiar. No entanto, toda a humanidade voltará a viver uma situação semelhante às de outrora:
“Virá a Ordem de Deus. Não peçais que acelere a sua chegada. Louvado e exaltado seja por cima do que Lhe associam.”
– Sura “A Abelha” (XVI, v.1)
“Não peçais que acelere a sua chegada” significa que não há dúvidas acerca dela. O seguinte versículo da mesma sura explica:
“Envia os anjos com o Espírito da Sua Ordem sobre aquele que quer dos seus servidores, dizendo: “Admoestai! Não há deus senão Eu! Temei-me!”
– Sura “A Abelha” (XVI, v.2)
A referência a anjos a descerem com o Espírito é idêntico ao versículo em que Deus se refere a Maomé tal como o seguinte:
“Com ele desceu o Espírito fiel, sobre o teu coração para que estejas entre os admoestadores.”
– Sura “Os Poetas” (XXVI, v.193-194 )
O segundo versículo da sura “A Abelha” confirma que haverão Apóstolos a sucederem a Maomé. Neste versículo também é referido “seus servidores” no plural, indicando que haverá mais Apóstolos a receberem o Espírito emanado por decreto divino. Além disso a sura “A Abelha” transmite um aviso aos muçulmanos:
“Mandámos a cada comunidade um enviado, dizendo: “Adorai a Deus! Pode de lado os que seduzem!” Deus guiou alguns deles, mas o extravio apoderou-se de outros. Percorrei a Terra e observai qual foi o fim dos que recusavam crer.”
– Sura “A Abelha” (XVI, v.36)
Desta forma a atenção dos muçulmanos dirigiu-se às nações que a precederam para que pudessem evitar o exemplo daquelas que recusaram os Enviados de Deus. Os muçulmanos, tal como outros povos, apresentaram argumentos semelhantes. Numa perspectiva Bahá‟í a vinda do Imame Mihdí e da volta de Jesus se tornou uma realidade, os muçulmanos encontraram os mesmos testes.
Acerca do significado de “Ressurreição”, o que irá acontecer? O Alcorão estabelece algumas imagens desse acontecimento.
Os seguintes versículos referem-se a esse evento:
“Então a Terra tremerá violentamente,
Os montes arrancarão a correr
E serão pó disperso.”
– Sura “O Acontecimento” (LVI, v. 4-6)
“Quando o Sol for encoberto,
Quando os astros se embaciarem,
Quando os montes forem deslocados.”
– Sura “O Obscurecimento” (LXXXI, v. 1-3)
“Quando o Céu se fender,
Quando os astros se dispersarem,
Quando os mares transbordarem.”
– Sura “A Fenda” (LXXXII, v. 1-3)
“Quando o Céu se fender
E houver escutado o seu Senhor em seu temor,
E quando a Terra for estendida
E atirar o que houver nela, ficando vazia”
– Sura “O Rasgão” (LXXXIV, v. 1-4)
“Quando a terra tremer fortemente,
E soltar os corpos que nela se enterravam.”
– Sura “O Tremor de Terra” (XCIX, v. 1-2)
Estas imagens antecipam os acontecimentos que ocorrerão no Dia da Ressurreição. O Alcorão descreve a condição da humanidade nessa época.
“Homens! Temei o vosso Senhor! O terramoto da Hora do Juízo será algo de enorme.
No dia em que toda a ama se esquecerá do menino que amamenta e toda a mulher prenha abortará, e nela verás todos os homens ébrios, mas não estarão ébrios, apenas aturdidos pelo terrível castigo de Deus.”
– Sura “A Peregrinação” (XXII, v 1-2)
“Quando chegar o ressoar da trombeta,
O dia em que o homem fugir do seu irmão,
Da sua mãe, do seu pai, Do seu amigo e de seus filhos,…”
– Sura “O Austero” (LXXX, v.33-36)
Uma outra imagem dessa época promete a graça e privilégio de encontro com Deus e o aparecimento dos Apóstolos e Anjos. A Terra será iluminada pela Luz do seu Senhor.
“Esperarão que Deus e os anjos venham a eles nas sombras tempestuosas, para tudo resolver? Sabei, então que tudo voltará a Deus.”
– Sura “A Vaca” (II, v.210)
“E chegar o teu Senhor com os anjos, em fileiras e fileiras,”
– Sura “A Aurora” (LXXXIX, v.22)
“No dia em que o Espírito e os anjos estejam alinhados, ninguém falará a não ser quem o Clemente autorize.”
– Sura “O Anúncio” (LXXVIII, v.38)
“Todo aquele que está sobre a Terra é mortal,
enquanto que a Face do teu Senhor, majestosa e nobre, é eterna.”
– Sura “O Beneficente” ( LV, v.26-27)
“Verás os anjos rodeando o perímetro do trono, cantando o louvor do seu Senhor. Entre eles se decretará de acordo com a Verdade e se dirá: “Louvado seja Deus, Senhor dos mundos.”
– Sura “Os Grupos” (v.75)
Acercados dos escolhidos o Alcorão afirma:
“No dia em que vejas os crentes e as crentes a correr. Levarão a sua luz adiante, à sua direita. Nesse dia dir-se-á: “Abençoados sejais vós! Hoje tendes jardins pelos quais correrão eternamente os rios. Viverão eternamente neles. Esse é o êxito maior.” – Sura “O Ferro” (LVII, v.12)
É evidente que estes versículos deverão ser entendidos de uma forma simbólica. O versículo “Esperarão que Deus e os anjos venham a eles nas sombras tempestuosas” deverá ser associado a: “Os olhos não O alcançam, mas Ele alcança todos os olhares. Ele é o Subtil, Ele é o sapientíssimo.”- Sura “Os Rebanhos” (VI, v.103). Tal como na confirmação: “Enquanto a Face do teu Senhor, majestosa e nobre, é eterna.” – Sura “O Beneficente” (LV, v.27)
A vinda de Deus só pode ser cumprida através da Sua Manifestação na Glória do Criador: Bahá‟u‟lláh. Até porque em alguns eventos o Alcorão atribui as acções levados a cabo por Maomé com sendo decididas por Deus, intimando os muçulmanos a aceitarem os poderes e atributos das Manifestações Divinas, tal como explicado por Bahá‟u‟lláh no “Livro da Certeza”.
Uma desses eventos ocorreu aquando das negociações numa localidade chamada Al-Hudaybíyyah quando um numeroso grupo de crentes jurou aliança ao Profeta colocando mão em cima de mão, como era costume na época, e a mão do Profeta ficou por cima de todas as outras. O seguinte versículo assinala este evento:
“Os que te reconhecem, só a Deus reconhecem: a mão de Deus está acima das suas mãos. Quem viola o pacto, com efeito o quebra contra si; quem é fiel àquilo que pactuou com Deus receberá uma enorme recompensa.” – Sura “A Vitória” (XLVIII, 10).
“A mão de Deus está acima das suas mãos”, era a mão de Maomé.
Um outro exemplo relacionado com a identificação de Maomé com Deus e o Seu papel no desenvolvimento dos acontecimentos, diz respeito ao relato da batalha de Badre. Tendo de combater com poderosos oponentes, o Apóstolo orou e pegou numa cheia de areia e lançou-a na direcção dos inimigos. Os crentes saíram vitoriosos e o seguinte versículo foi revelado: “Crentes! Não os matastes: Deus matou-os. Não atiras quando atiras: Deus é quem atira, a fim de experimentar os crentes, pela sua parte, como uma bela prova. Deus tudo ouve é omnisciente.” – Sura “Os Despojos” (VIII, v.17)
Um terceiro ponto concerne a que o Alcorão mostra a chave para um entendimento mais aprofundado dos versículos, enquanto é altamente descritivo, mostra que não pode ser entendido através da sua interpretação literal.
“Quantos sinais há nos Céus e na Terra! Os homens passam ao seu lado, mas afastam-se deles.
Na sua maioria não crêem em Deus, mas são idólatras.
Estão seguros de que não lhes chegará um véu do tormento de Deus ou do que não lhes chegará de repente a hora do juízo quando eles não a esperam?”
– Sura “José” (XII, v. 105-107)
“Adverte-os, Muhammad acerca do dia da perdição, quando se decrete a Ordem enquanto eles estejam descuidados porque não crêem.” – Sura “Maria” (XIX, v.39)
“Abraão exclamou: “Tomaste ídolos prescindindo de Deus pelo amos que, entre vós, desperta a vida mundana. Depois, no Dia da Ressurreição, renegar-vos-eis uns aos outros e amaldiçoar-vos-eis uns aos outros. O vosso refúgio será o fogo e não tereis defensores.” – Sura “A Aranha” (XXIX, v.25)
Com todos os acontecimentos a ocorrerem nesse dia, tanto na terra como no céu, as estrelas e as montanhas nesse Dia, e a vinda de Deus, o Senhor, os Profetas e os anjos, como pode alguém “não a esperar”, ser “descuidado” ou “idólatras”? Onde iria o povo sob essas circunstâncias encontrar o espaço temporal ou mental para a premeditação “renegar-vos-eis” ou “amaldiçoar-vos-eis”? É certo que os eventos antes de ocorrerem num Dia que não poderá ser entendido literalmente e que as tribulações sentidas pelos Homens deverão ser entendidas como afectando a sua alma. O seguinte versículo explica como os ímpios serão surpreendidos:
“No dia em que chegue a Hora, os culpados jurarão que não permaneceram mais de um momento nos seus túmulos. Assim terão blasfemado na Terra.
Aqueles a quem se deu a Ciência e a Fé dirão: Permanecemos na Lei de Deus até ao Dia da Ressurreição. Este é o Dia da Ressurreição mas vós não sabíeis.” – Sura “Os Bizantinos” (XXX, v.55-56)
Os desprevenidos assistirão aos eventos nesse Dia mas não entenderão a sua importância, enquanto que aqueles a quem é dado conhecimento e Fé para a aceitação da nova Manifestação Divina terão entendido o que é o “Dia da Ressurreição”.
A quarta imagem do Dia da Ressurreição é demonstrada nos “dois toques de trombeta”:
“Soprar-se-á na trombeta, e os que estejam nos Céus e os que estejam na Terra – com excepção daqueles que Deus quiser serão fulminados. Depois soará a trombeta outra vez, e então se porão de pé admirados.
A Terra iluminar-se-á com a luz do seu Senhor. Colocar-se-á o Livro e trar-se-á aos Profetas e aos mártires. Julgar-se-á entre os homens de acordo com a verdade; eles não serão confundidos.”
– Sura “Os Grupos” (XXXIX, v.68-69)
Estes acontecimentos referem-se ao “Livro” que virá juntamente com os Profetas e os mártires. Esta referência não poderá ser correspondente ao Alcorão, Novo ou Antigo Testamento, porque estes ou já existiam antes dos versículos serem revelados, ou eram o recipiente da Revelação. Além disso o “Livro” refere-se ao ressoar de duas trombetas no Dia do Julgamento, quando “A Terra iluminar-se-á com a luz do seu Senhor”. O “Livro” dever-se-á referir a outra Revelação porque não faz sentido uma promessa com um “Livro” já existente. Pensamos ser importante referir à imagem deste Dia:
“Os que hajam temido o seu Senhor serão conduzidos por grupos aos paraísos. Quando lá chegarem abrir-se-ão as suas portas e os seus guardiões exclamarão: “A paz seja sobre vós! Fostes bons! Entrai nele para a eternidade!”
Responderão: “Louvado seja Deus, que hoje cumpre para connosco a sua promessa, pois nos deu a Terra em herança! Instalámo-nos no lugar do Paraíso que queremos.” Que bela é a recompensa dos que procedem bem!”
– Sura “Os Grupos” (XXXIX, v.73-74)
Uma vez mais, o Alcorão promete o que nesse Dia o Paraíso reinará na Terra. Deste modo, a terra, os céus e as montanhas não desaparecerão da Terra, a menos que sigamos uma interpretação literal. Por outro lado o Alcorão sustente que o Paraíso e o Inferno continuarão a existir após esse Dia:
“Assim ocupa o teu Senhor quando ocupa as cidades, se são injustas. A Sua ocupação é dolorosa, violenta.
Nisso há um sinal para quem teme o tormento da outra vida. Aquele será um dia em que serão reunidos os homens, e aquele será um dia testemunhado por todas as criaturas.
Não o adiaremos a não ser por um prazo determinado.
No dia em que Deus venha, não falará uma alma senão com a sua permissão; entre eles haverá desgraçados e felizes.
Os que sejam desgraçados estarão no fogo; nele exalarão soluços e suspiros.
Permanecerão nele eternamente enquanto durem os Céus e a Terra, a menos que o teu Senhor queira outra coisa. O teu Senhor faz o que quer.
Os felizes estarão no Paraíso. Viverão nele eternamente enquanto durem os Céus e a Terra, a menos que o teu Senhor queira outra coisa. O teu Senhor dá bens sem conta.”
– Sura “Húd” (XI, v102-108)

XIII. Recompensa e Punição
O Julgamento e a Nova Manifestação
O Equilíbrio
Vida e Morte
O Sol, a Lua, as Estrelas, O Céu e a Terra
Os temos debatidos neste capítulo não são exclusivos de profecias islâmicas, há mesmo um grande paralelismo com as crenças cristãs e judaicas. Tanto o Antigo Testamento como o Novo Testamento fazem referência a esses assuntos.

Recompensa e Punição
No Alcorão é referido que aqueles que acreditarem e se mantiverem firmes serão recompensados com o Paraíso:
“Com efeito, dos que dizem: “O nosso Senhor é Deus”, e depois se mantém no bom caminho, não há que temer: eles não serão entristecidos.
Estes serão os hóspedes do Paraíso: eternamente viverão nele, em recompensa do que hajam feito.”
– Sura “As dunas” (XLVI, v.13-14)
O Inferno e o fogo é a recompensa para aqueles que desobedecem a Deus:
“Os homens perguntam-te acerca da Hora do Juízo. Responde: “O seu conhecimento está junto de Deus.” Que te pode informar? Talvez a Hora esteja próxima.
Deus amaldiçoou os incrédulos e prepara-lhes um fogo em que permanecerão eternamente. Não encontrarão amigo nem defensor, no dia em que os seus rostos se dirijam para o fogo. Exclamarão: “Melhor seria que tivéssemos obedecido a Deus e tivéssemos obedecido ao Enviado!”
Acrescentarão: “Senhor nosso! Obedecemos aos nossos senhores e aos nossos grandes, mas fizeram-nos extraviar na senda.”
Os crentes dirão: “Dá-lhes duplo tormento e amaldiçoa-os com a pior maldição.”
– Sura “Os Partidos” (XXXIII, v. 63-68)
A punição também está relacionada com o destino das nações. O Alcorão refere-se a este facto com aquelas que rejeitaram Maomé:
“Não viram quantas gerações aniquilámos antes deles? Estabelecemo-las na Terra melhor do que vos estabelecemos, fizemo-lhes cair do Céu chuvas abundantes e pusemo-lhes rios que corressem pelos seus vales, mas aniquilámo-las pelos seus pecados e fizemos nascer, depois delas, outras gerações.”
– Sura “Os Rebanhos” (VI, v. 6)
Este é o destino para aqueles que se recusam a acreditar no Apóstolo de Deus. O Alcorão refere-se às gerações que foram destruídas devido aos seus pecados e substituídas por outras, fazendo-nos crer que não há razão para considerar que a nação islâmica é a última nação ou que outras não serão colocadas no lugar dela. Daí a razão de os muçulmanos serem designados de “comunidade moderada”- Sura “A Vaca” (II, v.143). Não deveremos esquecer o aviso dos Profeta para os eruditos que desviam os crentes.

Julgamento e Nova Manifestação
“Crente e não-crentes” são atributos que ganham novo significado com a vinda de Novas Manifestações. O julgamento não é efectuado até os povos serem convocados a dirigirem-se à Nova Luz, e aí optarão por segui-La ou mantendo-se nas trevas ignorando as leis enviadas por Deus. Tal como o Alcorão refere:
“Deus é a luz dos Céus e da Terra. A Sua Luz é semelhante à de um nicho em que há uma lamparina; a lamparina está num recipiente de vidro que parece um astro rutilante. Acende-se graças a uma árvore bendita, uma oliveira, nem oriental nem ocidental, cujo azeite quase reluz, ainda que não lhe toque o fogo. Luz sobre luz. Deus guia a quem quer para a Sua luz e Deus molda as Suas parábolas para os homens. Deus é omnisciente.”
– Sura “A Luz” (XXIV, v. 35)
Até que a Terra brilhe com a Luz do seu Senhor, a maior parte da humanidade viverá na escuridão até que um grupo reduzido de esteja pronta a abraçar a nova Luz. Relativamente a este assunto o Alcorão sustenta:
“Quem está no bom caminho conduz-se a si mesmo; quem está desencaminhado extravia-se também a si mesmo. Nenhum carregador levará o fardo do outro. Não atormentámos nenhuma comunidade senão depois de lhe havermos mandado um enviado.”
– Sura “A Viagem Nocturna” (XVII, v. 15)
Deus não pune as comunidades até enviar um apóstolo:
“Quando queremos aniquilar uma cidade, enviamos os Nossos versículos aos habitantes. Há os que espalham logo a corrupção pela cidade, pois não cumprem a Nossa Lei, e destruímo-la completamente.”
– Sura “A Viagem Nocturna” (XVII, v. 16)
Os injustos rejeitam o Apóstolo e os versos que traz de Deus. Uma punição dos “injustos” reflecte-se na discórdia e cisma que reina entre eles:
“Diz: “Ele é o Poderoso que pode mandar-vos um tormento por cima de vossas cabeças ou por baixo de vossos pés, que pode dividir-vos em seitas ou fazer saborear a uns o mal de outros.” Observai como prodigamos os nossos versículos. Talvez compreendam.”
– Sura “Os Rebanhos” (VI, v.65)
É óbvio que os seguidores das religiões passadas se dividiram em seitas e caíram no fogo do cisma, incluindo os muçulmanos, tal como profetizado por Maomé numa tradição:
“Os filhos de Israel dividiram-se em setenta e duas seitas, mas o meu povo dividir-se-á em setenta e três seitas, todas irão para o inferno excepto uma…aquela a que Eu e os Meus companheiros pertencemos.”
A excepção, aqueles a quem Cristo refere, “o Meu rebanho conhece a Minha voz”, são aqueles que reconheceram a voz do Báb e de Bahá‟u‟lláh e dedicaram as suas vidas no Seu caminho. São aqueles que obedeceram a Deus e serão guiados ao paraíso.
O Alcorão conta a história de uma cidade que os seus habitantes recusaram três Apóstolos, mas houve uma pessoa de entre todos que acreditou:

“Entretanto, chegou um homem da parte mais distante da cidade, que corria e gritava: “Ó meu povo segui esses [os mensageiros] que foram enviados para junto de vós;
Deveis seguir esses que nada vos pedem em troca e que apenas vos querem levar pelo caminho da verdade.””
– Sura “Ó Humanidade” (XXXVI, v.20-21)
“Sim, eu creio [agora] no vosso Senhor (diz um deles entre os ímpios), “por isso escutai-me.”
Então uma voz disse: “Entra no Paraíso”, o que o fez passar cheio de satisfação: “Ai, se o meu povo soubesse!”
Nós [fala de Deus] não precisamos mais do que um só grito para fazer tombar todo o teu povo, mas Nós queremos fazer isso.
Pois um só grito bastaria para todos tombarem.
Que mágoa para Com que beneficência e misericórdia o meu Senhor me perdoou e colocou entre os honrados!
Nós servidores de Deus! Nenhum dos Seus enviados foi à Terra que não tenha sido molestado pelos descrentes!
– Sura “Ó Humanidade” (XXXVI, v.25-30)
Tal como o homem que disse que acreditava foi-lhe dito “Entra no Paraíso”, enquanto que aqueles que se recusarem a acreditar serão punidos e silenciados.
Na Sura “O Beneficente” (LV) o Alcorão fala de “Dois Paraísos”.
“Quem temeu a chamada de seu Senhor terá dois jardins
– que dons do vosso Senhor negareis?
De frondosas ramadas verdejantes.
Que dons do vosso Senhor negareis?
Neles haverá duas fontes de água corrente.
Que dons do vosso Senhor negareis?
Neles haverá de todos os frutos, duas espécies.
Que dons do vosso Senhor negareis?
Os bem aventurados estarão reclinados sobre tapetes cujo reverso será de brocado. A colheita de ambos os jardins será imediata.
Que dons do vosso Senhor negareis?”
– Sura “O Beneficente” (LV, v. 46-55)
Esta Sura tem um significado especial para os Bahá‟ís devido ao versículo “Que dons do vosso Senhor negareis?” que é repetido trinta e umas vezes nos setenta e oito versículos. A Sura é revelada em termos gémeos, o que tem uma relevância particular na Dispensação de Bahá‟u‟lláh. As duas fontes são o Báb e Bahá‟u‟lláh.
“Não aniquilámos nenhuma cidade a menos que tivesse um Livro reconhecido.
Nenhuma comunidade adianta nem atrasa o seu termo.”
– Sura “Al-Hichr” (XV, v. 4-5)

A Balança
A “Balança” é referida nas Escrituras Sagradas através do qual o género humano é “pesado” nas suas acções individuais e colectivas. Os Apóstolos de Deus trouxeram o equilíbrio com a revelação de um Livro:
“Mandámos enviados com provas manifestas: a eles revelámos o Livro e estabeleceremos a balança para que os homens pratiquem a equidade. Criámos o ferro – nele há grandes danos e grande utilidade para os homens – para que Deus, em segredo, conheça os que o socorrem a Ele e aos Seus Enviados. Deus é forte, poderoso.”
– Sura “O Ferro” (LVII, v. 25)
O Alcorão e a Balança são referidos por Maomé. Através de Si Deus anunciou que “Talvez a Hora esteja próxima”:
“Foi Deus quem revelou o Livro com a Verdade e a balança. Que te pode informar? Talvez a Hora esteja próxima.”
– Sura “O Conselho” (XLII, v. 17)
E quando a Hora chegar:
“Elevou o Céu, estabeleceu a balança da Justiça.”
– Sura “O Beneficente” (LV, v. 6)

Vida e Morte
O Alcorão tem um estilo próprio, considerado por muitos como único e imensuravelmente belo. Muitas vezes transmite verdades espirituais sob a forma de metáforas e alegorias, tal como Jesus Cristo que falou em parábolas que estão registadas nos Evangelhos, de forma a que os Seus seguidores tenham capacidade para compreendê-las.
Vida e morte, num sentido espiritual, significa aceitação ou repúdio da Luz que Deus trouxe ao mundo através das Suas Manifestações. Um dos versículos mais óbvios que justifica esta interpretação é um que foi revelado aquando da declaração da Fé no Islão por parte de Hamzih, tio de Maomé:
“Quem estava morto e o ressuscitámos e lhe demos uma luz com que anda entre os homens é igual a quem está nas trevas e não sai delas? Assim julgam os infiéis.”
– Sura “Os rebanhos” (VI, v.122)
Hamzih fisicamente não estava morto nem volveu à vida física, mas é considerado morte como a negação da Luz de Deus e morte como a sua negação. Quando aceitou a manifestação divina “ressuscitou”.
“Aqueles a quem invocam, prescindindo de Deus, nada criaram: foram eles criados.
Estão mortos, não vivos, e não sabem quando serão ressuscitados.”
– Sura “A abelha” (VI, v.20-21)
Ser ressuscitado significa que a alma libertar-se-á da sepultura e terá uma nova vida espiritual. A ressurreição é espiritual e não física, o que é confirmado pelo seguinte versículo:
“Recordai-vos de quando dizíeis: “Moisés, nós creremos em ti até que vejamos a Deus claramente!” E o raio vos levou enquanto olháveis.
Em seguida, depois da vossa morte, ressuscitámo-vos, esperando que talvez nos agradecêsseis. “
– Sura “A vaca” (II, v. 55-56)
Estas palavras foram dirigidas aos Israelitas após terem errado pelo deserto durante quarenta anos.
Como é óbvio os Israelitas, como nação, não foram destruídos por um raio nem estavam fisicamente mortos. É lógico que os termos morte e vida referem-se à condição espiritual dos Israelitas e não à sua condição física. Deus enviou a seguinte admoestação aos Israelitas:
“Como ousais negar a Deus? Estáveis inertes e foi Ele quem vos deu a vida; depois vos fará morrer, ressuscitar e voltar para Si.”
– Sura “A vaca” (II, v. 28)
Quando terão estes acontecimentos ocorrido? Ter-lhes-á sido dado a vida senão através daqueles que aceitaram Jesus Cristo? E qual terá sido a causa de sua morte senão através da negação de Maomé? E como voltarão a Deus senão através do reconhecimento de Bahá‟u‟lláh?
Da mesma forma, luz e escuridão, visão e cegueira também significarão estados espirituais.
“O cego e o vidente não se equiparam.
Tão pouco as trevas e a luz, a frescura da sombra e a canícula.
Não se equiparam os vivos aos mortos. Deus faz ouvir a quem quer. Tu não podes ouvir àqueles que estão nos túmulos.
Tu és apenas um admoestador.”
– Sura “Os Anjos” (XXXV, v.19-23)
Estas palavras foram dirigidas ao Profeta Maomé por Deus. Surge-nos como evidente que “àqueles que estão nos túmulos” não é uma referência aos fisicamente mortos. Da mesma forma que “trevas”, “luz”, “frescura da sombra” e “canícula” significariam estados da natureza se não houvesse uma altura certa mencionada pela sua iniquidade.
“Deus é amigo dos que crêem: tira-os das trevas para a luz. Os que descrêem têm por amigos os demónios, que os levam da luz para as trevas: esses serão os possuidores do fogo: viverão nele eternamente.”
– Sura “A Vaca” (II, v.257)
Estes versículos demonstram que aqueles que se afastam do caminho dos Manifestantes de Deus estão em pior condição do que aqueles corpos que estão sepultados. A morte espiritual corresponde a uma doença moral. No entanto, quando são convidados para aceitar a palavra de Deus, eles obstinam-se em rejeitá-la:
“Se tivéssemos feito descer sobre eles os anjos, se os mortos lhes tivessem falado, se tivéssemos reunido diante deles todas as coisas, não teriam acreditado senão naquilo que Deus quisesse. Mas na sua maior parte são ignorantes.”
– Sura “Os Rebanhos” (VI, v.111)
“Quando se lhes diz: “Não espalheis a corrupção sobre a Terra”, respondem: “Nós somos reformadores.”
Porventura não são perversos? Mas não o sabem.”
– Sura “A Vaca” (II, v.11-2)
O Alcorão refere-se a eles como as “piores bestas”:
“As piores bestas, perante Deus, são as surdas e as mudas que não discorrem”.
– Sura “Os Despojos” (VIII, v. 22)
“As piores bestas diante de Deus são os descrentes, pois eles não crêem.”
– Sura “Os Despojos” (VIII, v. 55)
Para aqueles que têm “vista” mas não “vêem”, é posteriormente referido:
“Tínhamo-los estabelecido onde não vos estabelecemos. Havíamos-lhes dado ouvido, vista e coração. Mas nem o seu ouvido, nem a sua vista nem o seu coração lhes serviu de nada. Quando negaram os versículos de Deus, aquilo de que haviam zombado os cercou.”
– Sura “As Dunas” (XLIV, v.26)
O Sol, a Lua, as Estrelas, Céu e Terra
“Quando o Sol for encoberto, quando os astros se embaciarem”
– Sura “O Obscurecimento” (LXXXI, v. 1-2)
“Quando os astros se extingam, quando o Céu se fenda.”
– Sura “Os Enviados” (LXXVII, v.8-9)
“Quando o céu se fender e houver escutado o seu Senhor em seu temor, e quando a Terra for estendida e atirar o que houver nela, ficando vazia, e houver escutado o seu Senhor em seu temor…”
– Sura “O Rasgão” (LXXXIV, v. 1-2)
“Quando o Céu se fender, quando os astros se dispersarem”
– Sura “A Fenda” (LXXXII, v. 1-2)
“Quando a vista fique deslumbrada, a Lua eclipsada e o Sol e a Lua estejam em conjugação…”
– Sura “A Ressurreição” (LXXV, v. 7-9)
Através destas imagens o Alcorão antecede os acontecimentos que hão de ocorrer no Dia de Deus quando tudo voltar para Ele. Parece-nos ser evidente que céu, terra, sol, lua e estrelas representam aspectos do mundo espiritual.

XIV. A Questão dos Milagres
Em termos enfáticos o Alcorão distingue entre crentes e não crentes, os de vista aguçada dos cegos, os de pureza de coração dos ímpios, os ouvintes dos surdos. Estas imagens representam uma vivência espiritual. Aqueles que não estão cegos – os que vêem – reconhecem o “Sol da Realidade”, não encontrando diferença fundamental entre as diferentes Revelações de Deus.
“Aqueles a quem demos o Livro antes deste Alcorão crêem nele.
E quando se lho recita, exclamam: “Cremos nele. É a verdade proveniente do nosso Senhor! Nós éramos submissos [muçulmanos] antes da sua chegada!”.”
– Sura “O Relato” (XXVIII, v.52-53)
Desta forma, a espiritualidade assinalada para aqueles que eram os depositários de um Livro revelado antes do Alcorão confirma que eles eram submissos (palavra que outros tradutores consideram como muçulmanos) antes de ser revelado, e continuaram a sê-lo à luz da sua Revelação.
O Alcorão descreve a cegueira espiritual da seguinte forma:
“Criámos para o Inferno muitos génios e muitos homens; têm corações que não compreendem, olhos que não vêem, ouvidos que não ouvem: são como os rebanhos, ou mais extraviados ainda, porque esses não compreendem.”
– Sura “O Muro” (VII, v.179)
O que pode convencer tais povos a abrir os seus olhos para a Luz da Verdade, limpar os ouvidos para o chilrear do Rouxinol da Verdade ou abrir os corações para as Copiosas Chuvas da Verdade?
“Se tivéssemos feito descer sobre eles os anjos, se os mortos lhes tivessem falado, se tivéssemos reunido diante deles todas as coisas, não teriam acreditado senão naquilo que Deus quisesse. Mas na sua maior parte são ignorantes.”
– Sura “Os Rebanhos” (VI, v.111)
Há um episódio em que os descrentes pedem um milagre:
“Dizem: “não acreditaremos em Ti antes de fazeres brotar uma fonte da terra.
Ou de teres um jardim de palmeiras e videiras através dos quais corram rios abundantemente.
Ou de fazeres caíres sobre nós, segundo afirmas o Céu aos pedaços, ou de trazeres manifestamente Deus e os anjos.
Ou de teres uma casa cheia de ornamentos, ou subires ao Céu. Não acreditaremos na Tua ascensão antes de fazeres um Livro que possamos ler.” Responde: “O meu Senhor seja louvado! Sou alguma coisa mais do que um mortal, do que um enviado?”
– Sura “A Viagem Nocturna” (XVII, v. 90-93)
O Alcorão confirma a revelação de milagres, como sendo parte integrante do poder dos Profetas, mas condena o povo que não acreditou Nestes.
“Impede-nos de enviar os sinais que solicitem aos habitantes de Meca o facto de os antigos os desmentirem. Por exemplo: demos a camela ao povo de Çamud como sinal manifesto, mas foram injustos com ela. Não enviámos os sinais a não ser com intimidação.”
– Sura “A Viagem Nocturna” (XVII, v. 59)

O Verdadeiro Milagre é o Livro
O verdadeiro milagre da Revelação de Deus é o Livro que Ele enviou e está lembrado nas Escrituras Sagradas. O Alcorão distingue entre fiéis e descrentes, que insistem na necessidade de demonstração de milagres por parte do Profeta. A propósito desta atitude, houve aqueles que acusaram Moisés de ser mágico ou feiticeiro. Tal como o Alcorão comprova:
“Quando lhes chegavam os nossos sinais diziam: “Isto é magia manifesta”.
– Sura “As Formigas” (XXVII, v. 13)
E mais além:
“Quando Moisés lhes levou os Nossos sinais manifestos exclamaram: “Não é mais do que magia artificial! Não ouvimos falar disto aos nossos primeiros pais!”
– Sura “O Relato” (XXVIII, v. 36)
Desta forma inequívoca o Alcorão demonstra que os milagres nunca são uma prova convincente para separar os crentes e os incrédulos, mas sim uma fonte de obstinação.
Quando Maomé iniciou a Sua Revelação e foi confrontada com essa questão, Deus revelou-Lhe:
“Mas quando, proveniente de Nós, lhes chega a Verdade, dizem: “Porque se dá a Muhammad um milagre semelhante aos que deram a Moisés?” não foram incrédulos com o que anteriormente se deu a Moisés?” Disseram: “Moisés e Aarão são dois magos que se auxiliam mutuamente”, e acrescentaram: “Nós não acreditamos em nada disto”
– Sura “O Relato” (XXVIII, v. 48)
Mais tarde, perante esta insistência foi revelado no Alcorão:
“Diz: Trazei um Livro, proveniente de Deus, que seja melhor guia quer ambos! Segui-o se sois verdadeiros.”
– Sura “O Relato” (XXVIII, v. 49)
O verdadeiro milagre é o Livro. É a prova irrefutável. É a doença do espírito que insiste na realização de milagres.
Significa que aqueles que exigem milagres que possam ser confirmados pelos seus olhos é como se estivessem cegos.
Será que há algum milagre superior ao Livro Revelado?
“ …Ó Maomé, a estes manda-lhes cumprir o estabelecido e proíbe-lhes o reprovável; declara-lhes lícitos os bons manjares e proíbe-lhes os alimentos impuros; derroga-lhes as prescrições esmagadoras e suprime-lhes os grilhões que tinham. Os que crêem nele, que o honrem, o defendam e sigam a luz que lhe foi revelada, esses são os bem-aventurados.”
– Sura “O Muro” (VII, v. 157)
Há um episódio contado por „Abdu‟l-Bahá em que durante o exílio de Bahá‟u‟lláh em Bagdade, um sábio chamado Hasan Amur alcançou a sua presença e afirmou que os ulemás (doutores do Islão) reconheciam a Sua Sapiência mas que necessitavam de um milagre para O aceitar como O Prometido.
Bahá‟u‟lláh afirmou que a religião não é uma brincadeira de crianças, e exigiu que os ulemás combinassem de entre si qual o milagre que queriam que Ele realizasse. Esta indicação deveria estar num documento selado e assim que fosse desselado e o milagre fosse cumprido os ulemás reconhecê-Lo-iam.
Infelizmente, perante este apelo, os ulemás acabaram por não anuir à Sua proposta.

XV. Outras Provas
Referência ao número oito:
“Quando se sopre uma só vez a trombeta,
quando a Terra e os montes sejam desintegrados, destruídos de um só golpe,
nesse dia se dará o acontecimento, e o céu se rasgará, e nesse dia carecerá de consciência.
Os anjos estarão postos nos seus confins, e oito transportarão então por cima de si o trono do seu Senhor”
– Sura o Inevitável (LXIX, v. 13 – 17)
O número oito tem um significado especial porque está relacionado com a excelsa posição do Báb. Na obra de Muhammad Mustafá9 é referido que ‘Abdu‟l-Bahá considera o Santuário do Báb como “o Trono do Senhor”. Neste livro também é referido que Shoghi Effendi disse “A mesquita de Medina tem sete minaretes, a do Sultão Ahmad em Constantinopla tem seis mas o Alcorão refere oito.” É também feita referência a uma Epístola de „Abdu‟l- Bahá na qual Ele interpreta o seguinte versículo. M. Gail escreve: “As palavras do Mestre significam o seguinte: o trono é o templo do corpo da Manifestação Divina, e que a Manifestação é simbolizada pelo número um. E de acordo com o sistema utilizado por persas e árabes em que as letras têm um valor numérico, Bahá é oito mais um. B significa dois, a vogal curta não é escrita e portanto não tem valor, h é cinco, a vogal longa tem o valor de um e o apóstrofo também tem o valor de um. Então o versículo significa “E Bahá transportará por cima de si o trono do Senhor.
De onde virão as lamentações
Aos Manifestantes de Deus são-lhes conferidos diversos atributos. Um deles corresponde ao de “Pregoeiro”, cuja pregação é um chamado para a Fé.
“Senhor Nosso! Ouvimos um homem, chamando à fé, dizendo: “Crede no vosso Senhor!, e cremos.
Senhor nosso! Perdoa-nos os nossos pecados, apaga as nossas más acções e chama-nos a morrer com os piedosos.
Senhor nosso! Dá-nos o que nos prometeste pelos Teus Enviados e não nos envergonhes no Dia da Ressurreição. Tu não alteras a promessa!”
– Sura III (A família de Imran, v. 193-194)
“Tem paciência com o que dizem! Canta o louvor do teu Senhor antes de o Sol subir e depois do ocaso!
Durante parte da noite, depois das prostrações, louva-O.
Presta atenção ao dia em que o Pregoeiro chamará de um lugar próximo;
Ao dia em que ouçam o Grito segundo a Verdade; esse é o Dia da ressurreição.”
Na Sura L (Caf, v. 39-42) Deus adverte através do Seu Apóstolo os crentes.
Na Sura de Jonas o Alcorão diz:
“Aos que crêem e praticam o bem, o seu Senhor os guiará em recompensa da sua fé: a seus pés correrão rios nos jardins de sonho.
Neles a sua invocação será: “Glória a Ti, Deus meu!”, e a sua saudação será: “Paz!” e o final da sua invocação será: “Louvado seja Deus, Senhor dos Mundos!”
– Sura X (“Jonas, v. 9-10)
“Deus chama para a morada da paz [Bagdade] e conduz a quem quer o caminho recto.”
Pensamos ser importante referir que Bagdade é a terceira cidade santa na Fé Bahá‟í.
– Sura X (“Jonas, v. 25)
Na Sura “Muhammad” (XLVII, v.38): “Vós estais sendo chamados a gastar na senda de Deus; entre vós estão os que são avaros. Quem é avaro, unicamente é avaro para consigo mesmo, pois Deus é Rico e vós os pobres. Se voltais costas, substituir-vos-á por outra gentes que não serão vossos iguais.”
Quando O Profeta foi questionado sobre as outras gentes que substituirão os árabes respondeu e, referindo-se a um Seu seguidor persa de nome Salmán: “Ele e o seu povo” e continuou: “Pelo Verdadeiro, em Cuja Mão está a Minha Vida, se a Fé de Deus for suspensa em Pleiades, certamente os homens da pérsia alcançá-la-ão”. Esta tradição é aceite tanto por Xiitas como Sunitas.
É de referir que tanto Bahá‟u‟lláh como o Báb eram persas.
Bahá‟u‟lláh descendia de Zoroastro e o Báb de Maomé, pertencendo ambos à linhagem de Abraão.

XVI. O Dia que não será seguido pelas Trevas
Conforme já vimos o Alcorão refere-se a uma comunidade una, algo que não surgiu na Dispensação de Maomé, mas que vai ocorrer na de Bahá‟u‟lláh.
Por outro lado vemos que se é crença dos Bahá‟ís que os cristãos deveriam ter reconhecido em Maomé os sinais de Jesus e portanto aceite o Islão, como continuidade do cristianismo, também é verdade que se o Islão não se tornou uma religião verdadeiramente universal tal deveu-se à incompetência dos Seus seguidores.
Na história do Islão há um episódio largamente difundido de entre a comunidade xiita acerca dos últimos dias de vida terrena de Maomé. Quando estava já numa fase agonizante, quatro dos seus companheiros estavam junto do Seu leito: Abú Bacre, Omar, Uthmán e Ali. Abu Bacre era Sogro e Ali Seu primo e genro. A história conta que Maomé pediu que Lhe trouxessem algum material para que Ele pudesse escrever a quem os Seus seguidores deveriam dirigir-se após a Sua morte. Mas Omar um estratega calculista e sem escrúpulos disse que como o Profeta estava às portas da morte a Sua mente encontrava-se transtornada e assim não Lhe deveria ser entregue qualquer material. Os xiitas consideram que o Profeta pretendia confirmar o já testemunho verbal de que Ali deveria liderar a comunidade após a Sua morte.
Assim, quando Maomé abandonou a vida terrena, Omar organizou uma reunião de muçulmanos distintos e instigou-os a seguirem Abú Bacre que gozava de grande prestígio junto da comunidade islâmica, tendo sido proclamado o primeiro califa. Dois anos mais tarde veio a falecer e então Omar tornou-se o segundo califa. A partir daí iniciaram-se as conquistas bélicas dos muçulmanos tendo a sua a maioria rejeitado o direito a Ali suceder a Maomé.
É crença fundamental para os Bahá‟ís que o Imame Ali era o legítimo sucessor de Maomé, tal como os seus descendentes masculinos, também designados pelos “Santos Imames”. Estes lideraram a comunidade xiita até ao ano 260 D.H. Bahá‟u‟lláh lembra-os como os legítimos sucessores de Maomé: sábios e expositores do Alcorão, relembra muitas das suas citações ou Ahádíth (tradições), exalta a sua estação, em especial a do Imame Husayn, o terceiro Imame, a quem se refere como o “Príncipe dos Mártires” (Kitáb-i-Íqán, pg. 138).
Devido à hostilidade de Omar à posição legítima de Ali, as intenções de Maomé para a Sua sucessão na guia do mundo islâmico saíram frustradas. Quando Ali clamou pelo seu estatuto natural, referindo-se ao testamento verbal do Profeta, a resposta de Omar foi cortante: “O Livro de Deus é suficiente”. Esta brutal resposta veio a ecoar de forma trágica através dos séculos até que „Abdu‟l-Bahá, filho de Bahá‟u‟lláh e Centro do Convénio, descreveu na Epístola dos Mil Versos as suas consequências. Aquela afirmação veio a tornar-se a arma que martirizou a próprio Imame Ali, que causou grandes divisões no seio do Islão e que transformou o espírito de amor de uma nação noutra de guerreiros armados com a espada. Como resultado daquele mesmo testemunho, a cabeça do Imame Husayn, o mais distinto de todos os Imames, foi decapitada em Karbilá, aos outros Imames foram infligidos sofrimentos atrozes, como a morte ou prisão, e um número incontável de almas inocentes forma penalizadas durante doze séculos.
„Abdu‟l-Bahá veio mais longe ao afirmar que a afirmação de Omar veio se a transformar nas centenas de balas que perfuraram o peito do Báb em Tábriz, e no grilhão que foi acorrentado ao abençoado pescoço de Bahá‟u‟lláh, e que Lhe proporcionou sofrimentos indescritíveis ao longo dos Seus sucessivos exílios.
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Todas estas atrocidades cometidas durante a Dispensação islâmica se deveram, segundo „Abdu‟l-Bahá à simples afirmação de Omar: “o Livro de Deus é suficiente”. Desta forma, a maior parte da nação islâmica ficou privada do conhecimento dos Imames, que tinham a capacidade de interpretar as passagens abstrusas do Alcorão, e as profecias acerca do advento de Qá‟im, o prometido do Islão.
O curso da História Universal mudou como resultado da ambição de Omar e a sua recusa em submeter-se a Ali. Esta decisão resultou na violação do convénio de Maomé e, de acordo com „Abdu‟l-Bahá, trouxe consequências graves a muitas nações e povos. Na epístola referida em cima é afirmado que se a nação islâmica tivesse seguido o legítimo sucessor de Maomé muitas das atrocidades e prepotências cometidas após a ascensão do Profeta poderiam ter sido minimizadas ou mesmo evitadas.
Poderemos fazer um paralelismo entre a traição perpetrada sobre Jesus e a aquela, já descrita, sobre Maomé. Quando Jesus entregou a Pedro a ascendência sobre o Seus outros apóstolos, Judas sentiu-se traído, pois considerava esse lugar como seu e a sua ambição desmedida teve as consequências já conhecidas, acabando por conduzir o seu Senhor à cruz. Mais tarde, muitos dos primeiros cristãos, como Estevão, Pedro ou Paulo, vieram a ser condenados à morte, mas sempre por pagãos ou judeus. Os Imames foram mortos por aqueles que lideravam o mundo islâmico. Pior, O Imame Mahdí, o décimo segundo dos Imames, veio a ser fuzilado por aqueles que imploravam pela Sua vinda.
No entanto, podemos questionar-mos por que terá Deus permitido que tudo isso ocorresse? Na realidade, a humanidade naquela tempo não estava preparada para se manter unida segundo os ditames de um Convénio, estabelecido entre os seguidores do Profeta e os Seus legítimos sucessores.
Se é crença dos Bahá‟ís que desta vez todas as tentativas de violação do convénio saíram infrutíferas devem-se a o facto de Bahá‟u‟lláh ter trazido aos seus seguidores os instrumentos para que tal não possa ocorrer. Há dois livros que apontam o Seu Centro do Convénio como sendo „Abdu‟l-Bahá, primeiro no Kitab-I-Aqdas, de forma implícita, e posteriormente, de forma explícita, o Livro do Convénio.
Por outro lado, há uma importante característica do Islão que convém entender. Maomé fez uma declaração oral de que Ali era o Seu legítimo sucessor mas conforme já descrevemos a maioria dos muçulmanos não o seguiram, e durante séculos aqueles que violaram o convénio (os sunitas) dominaram aqueles que o seguiam (os xiitas). Bahá‟u‟lláh explicou na Epistola a Sálman que a prevalência dos violadores do Convénio sobre os seguidores do Convénio é um fenómeno já predestinado no Alcorão. O versículo: “Não há outro Deus senão Deus” que todo o muçulmano piedoso profere contém a verdade fundamental em que se baseia o Islão. Bahá‟u‟lláh afirma que jazia um mistério oculto neste versículo e que ninguém o tinha identificado antes que Ele o revelasse no Seu Dia.
Nesta Epístola, Bahá‟u‟lláh diz que Deus através de Sua sabedoria, colocou nesta frase a palavra da negação (não) a preceder a da afirmação. Desta forma está atribuído o domínio dos infiéis sobre os fiéis na Dispensação islâmica. Esta misteriosa influência resultou da frase que se repete várias vezes ao longo do Alcorão. Todo o sofrimento que os Imames, os descendentes do Profeta e Seus sucessores, iriam sofrer já estava predestinado. O versículo “Não há outro Deus senão Deus” significa que os seguidores de Maomé seriam incapazes de manter a unidade após a Sua ascensão.
Relativamente ao versículo apontado, Bahá‟u‟lláh nessa mesma Epístola proclama de forma majestosa que neste Dia Ele retirou a negação e colocou a afirmação. Assim, na Sua Revelação o versículo corânico foi substituindo por “Ele é Deus”. Isto significa que o Autor desta Revelação segura nas Suas mão toda a autoridade, e ao contrário do que aconteceu nas Revelações anteriores nenhuma poder retirá-la-ia. Tal como está explícito nos Seus escritos este é “O Dia que não será seguido pelas trevas”.
Há outro dado importante na Epístola de Sálman referentes à exclusão da palavra da negação e substituição pela afirmação. Este significa que após a ascensão de Bahá‟u‟lláh todos aqueles que são firmes no Convénio consideram que a remoção da letra da negação corresponde ao Livro do Convénio, vontade e testamento de Bahá‟u‟lláh.
Assim, para um Bahá‟í a Fé em Bahá‟u‟lláh não é suficiente. Deve-se voltar para os Seus representantes. Primeiro deverão aceitar „Abdu‟l-Bahá, como Centro do Convénio, Shoghi Effendi, como Guardião da Fé, e a Casa Universal de Justiça, Instituição que dirige presentemente a comunidade Bahá‟í.

XVII. O Martírio do Imame Husayn
Pensamos que seria importante fazermos uma referência ao Imame Husayn, descrito por Shoghi Effendi, intérprete autorizado das Escrituras Sagradas, como o maios ilustre de entre os Imames.
Ali e Fátima, a filha dilecta de Maomé, tiveram dois filhos varões Hasan e Husayn.
Diferentes referências bibliográficas falam do profundo amor que Maomé tinha pelos Seus netos, sendo várias as que apontam para a predilecção para com Husayn.
Após o assassinato do Imame Ali em Kufa, perpetrado pela família dos Omíadas, a besta descrita no Apocalipse de São João, o mundo islâmico focou subjugado por essa vil dinastia, sendo Muavia o seu líder. Este antes de morrer preparou o caminho para que o seu filho Yazíd lhe sucedesse.
Nesta altura já Husayn era o chefe da casa de Ali, por falecimento e consequente herança de seu irmão.
O mundo islâmico estava em comoção, se o domínio de Muavia, filho do mais poderoso inimigo de Maomé em Meca, era uma ofensa para muitos muçulmanos, a ascensão de Yazíd, um consumidor de vinho inveterado e que abertamente ridicularizava as leis do Alcorão, era um ultraje.
Foi então que em Kufa, junto a Damasco, capital administrativa do Islão, muitos muçulmanos pediram a Husayn que viesse aí tomar a liderança do mundo islâmico.
O governador de Medina, receoso de Yazíd, declarou-lhe a sua aliança, e assim Husayn teve de se deslocar de Medina para Meca e daí enviou um emissário para se inteirar da situação em Kufa, onde grupos de crentes prometeram-lhe todo o seu apoio.
Apesar deste relatos entusiastas, Husayn estava avisado da vacilação com que esses crentes apoiaram o seu irmão Hassan. No entanto, Husayn decidiu deixar Meca na companhia de um pequeno número de homens armados e um número considerável de mulheres e crianças.
Mas a situação mudou rapidamente em Kufa, Yazíd inteirado da situação, instruiu o enérgico e cruel „Ubaydu‟lláh ibn Zyád para controlar a situação. Imediatamente instalou um regime de terror, lidando de forma implacável contra qualquer manifestação de revolta. Estas medidas tiveram sucesso e permitiram a „Ubaydulláh organizar unidades militares e cobrir todos os caminhos que davam para Kufa, pretendendo assim interceptar o Imame Husayn.
O regime de terror ia sufocando Kufa, e alguns apoiantes de Husayn que conseguiram fugir avisaram-no do perigo iminente
Al-Hurr, um jovem líder de um destacamento militar interceptou Husayn quando este se aproximou de Kufa. As suas instruções vinham no sentido de impedir o Imame de alcançar qualquer vila ou cidade no Iraque. Perante esta atitude, Husayn mostrou as inúmeras cartas que lhe foram enviadas pelos habitantes de Kufa. Vendo os homens de Al-Hurr sedentos Husayn, de forma magnânima, ofereceu-lhes água de suas reservas.
Após negociações Husayn concordou em deixar Kufa, enquanto Al-Hurr esperou por mais instruções. Husayn e o seu grupo viajaram escoltados pelo séquito de Al-Hurr até alcançaram a planície de Karbilá. Aí chegaram quatro mil homens chefiados por „Umar ibn Sa‟d, mas instruídos por „Ubaydulláh, que não deveriam deixar Husayn partir até que ele assinasse um documento em que se submetia a Yazíd. Os homens de Ibn Sa‟d cercaram o grupo de Husayn e cortaram-lhe o acesso ao rio, a sua única fonte de água.

Husayn iniciou conversações com Ibn Sa‟d insistindo em que não tinha interesse algum em que houvesse derramamento de sangue e, se fosse necessário, regressaria à Arábia. Ibn Sa‟d, por instigação de „Ubaydulláh, recusou qualquer trégua ao mesmo tempo que sentia os efeitos da escassez de água no grupo do Imame. Foi então que ao anoitecer do dia 9 de Muharram 61 D.H. (9 de outubro 680 D.C.) Ibn Sa‟d ordenou aos seus militares para se prepararem para a batalha e ocupassem as posições chave no terreno. Nessa noite, Husayn pediu aos seus companheiros que o deixassem só frente ao inimigo mas eles recusaram-se a tal.
No fatídico dia 10 de Muharram 61 DH (10 de Outubro 680 DC), Husayn deslocou-se ao campo dos homens a soldo de Yazíd e dirigiu-se-lhes com tal eloquência que alguns deles, como al-Hurr, passaram para o lado de Husayn, tendo sido dos primeiros a morrer na batalha sucedânea.
As fontes tradicionais indicam que entre os seguidores de Husayn havia setenta e dois homens armados, dezoito deles eram seus familiares, e um grupo de mulheres e crianças.
A desproporção de forças era enorme e os arqueiros dos Omíadas liquidaram o grupo de Husayn. No final apenas restava Husayn e o seu meio irmão Abbas, que foi morto quando procurava alcançar água para as mulheres e crianças. Assim, todo o exército inimigo convergiu para Husayn.
Levando o seu filho, nos braço Husayn suplicou água para o bebé, mas como resposta uma flecha lançada pelo inimigo trespassou a garganta de seu filho.
Já só restava Husayn, de entre os homens válidos para combate, e á medida que o exército o cercava, o Imame lutava de forma majestática, até que uma série de golpes o fizeram desfalecer e cair por terra, mesmo aí os soldados hesitaram em dar a estocada final no neto de Maomé. Segundo algumas fontes este infame acto foi executado por Shamir, um imediato de „Ubaydu‟lláh.
O exército Omíada decapitou todos os corpos e colocou as cabeças na ponta das lanças, exibindo-as enquanto caminhava para Kufa. As mulheres e crianças forma levadas como prisioneiras, incluindo Ali, o único filho sobrevivente de Husayn, que estava demasiado enfermo para participar na batalha.
Em Kufa, „Ubaydu‟lláh convocou uma assembleia e ordenou que lhe trouxessem a cabeça de Husayn numa bandeja, ao mesmo tempo que humilhava os prisioneiros diante de si. Quando a cabeça foi colocada à sua frente pegou numa cama e de forma jocosa brincou com os lábios da cabeça cadavérica.
Fontes xiitas referem que aquando do desenrolar deste vergonhoso episódio uma testemunha clamou: “retira a cana desses lábios, por Deus, quantas vezes não vi os lábios do Profeta de Deus nesses lábios”.
Zaynab, a irmã de Husayn comportou-se de forma digníssima e respondeu altivamente a „Ubaydu‟lláh quando pretendia matar „Ali: “Ó filho de Zíyad! Já derramaste o bastante do nosso sangue” e depois colocou Ali ao seu colo, rodeando-o com os seus braços e disse: “Por Deus, eu não o largo, se o quiseres matar, mata-me também.” A seguir „Ubaydu‟lláh enviou os prisioneiros e a cabeça de Husayn para Damasco, capital da dinastia Omíada.
Aí, Yazíd troçou da cabeça de Husayn e insultou „Ali e Zaynab. No entanto, temendo um levantamento popular, poupou os cativos e permitiu o seu regresso a Medina.

Poderemos comparar a dinastia dos Omíadas como uma erva trepadeira, um cipó matador, que se apoderou de uma esplendorosa árvore, e que entende que a razão de existir dessa mesma árvore é a de lhe dar suporte e alimento, mesmo que possa conduzir à sua exaustão. Assim, um observador desatento verá esse cipó luxuriante e altivo, considerando-o como possuidor dos atributos que aprece transparecer, quando na realidade vai estrangulando a árvore que o suporta.
O contributo que o Islão trouxe ao mundo, mesmo que nessa época vergonhosa, deveu-se apesar dos Omíadas e nunca devido a estes, por mais aparentes que seja os seus feitos.
Este episódio respeitante ao Imame Husayn foi aprofundado por tudo o que representa para os xiitas e posteriormente para os Bábis e Bahá‟ís – o primeiro nome de Bahá‟u‟lláh era Husayn e Seu segundo nome „Ali.
Apesar da violação do Convénio se ter iniciado com a usurpação dos direitos de „Ali, e o seu assassinato ser um marco importante, o martírio do Imame Husayn corresponde á grande data dos eventos que marcaram o sacrifícios dos Imames. Muitos afirmam que a sua aparência física correspondia à de seu divino Avô.
Uma análise atenta, faz-nos crer que toda esta série de acontecimentos em Karbilá, foi entendida por Husayn como inevitável e mesmo imperiosa de ser cumprida.
Desde o início que ele poderia ter organizado um exército que o seguisse, de forma a ter uma estrutura militar organizada que lhe permitisse sair vencedor de uma qualquer batalha. Mas o seu comportamento demonstra que não tinha como objectivo a conquista do poder temporal. Na realidade, chegou a pedir aos seu companheiros que o deixassem só face ao inimigo.
Desde sempre, procurou uma revolução na consciência dos seguidores do Islão. Se conquistasse o poder terreno derrubaria aquele perversa dinastia, mas mais tarde outra poderia vir a substitui-la. Assim, procurou uma revolução de consciências, de forma a combater o mal instalado na comunidade muçulmana.
Poderemos materializar a sua atitude em termos de acção e reacção.
Quando Maomé iniciou o Seu ministério, no mundo árabe pré-islâmico, provocou uma acção que contrariava muitas práticas de então mas agora, passados trinta e seis anos, havia uma reacção aos Seus ensinamentos e práticas. Husayn procurou uma reactivação dos valores ensinados por seu Augusto Avô.
O confronto entre Husayn e Yazid, correspondia à acção contra uma reacção, que encarnava um estilo de vida profundamente reaccionário aos ensinamento do Profeta. Era um confronto entre o representante da lei divina contra a casta bárbara que ia combatendo o Islão na sua própria sede temporal.
Para o sucesso do seu objectivo, o de reatar a acção, Husayn necessitava de abalar as consciências e isso não poderia ser alcançado sem sofrimentos e sacrifícios – o que explica ter trazido a família consigo.
Observando a brutal e crueldade das forças reaccionárias, Husayn sabia que após o matarem iriam tomar as suas mulheres e crianças como cativas até Damasco. Na realidade, esta caravana de cativos seria testemunha de Husayn e tocaria o coração dos muçulmanos, que ponderariam sobre toda a tragédia.
Desta forma, nunca poderemos saber qual o percurso da história do Islão e do mundo, caso Husayn não se tivesse sacrificado.
Conforme já dissemos para os Bahá‟ís o regresso profetizado do Imame Husayn, e que os xiitas aguardam, realizou-se em Bahá‟u‟lláh – apesar da distinta posição de ambos.

XVIII. Escrituras Sagradas de O Báb
Relativamente à violação do Convénio de Maomé O Báb escreve:
“Ó povos do Oriente e do Ocidente! Temei a Deus no que concerne á Causa do verdadeiro José e não o troqueis por um preço desprezível, por vós mesmos estabelecido, nem por uma bagatela das vossas possessões terrenas, a fim de que vós em absoluta verdade, sejais por Ele louvados como incluídos entre os piedosos que estão próximos desta Porta. Em verdade, Deus privou de sua graça aquele que martirizou Husayn, Nosso Ascendente, solitário e abandonado que estava na terra de Taff (Karbilá). Yazíd, filho de Mu‟ávíyih, incitado por um desejo corrupto, com o povo diabólico trocou a cabeça do José verdadeiro por um preço insignificante e uma ninharia de seus bens. Em verdade, repudiaram a Deus, cometendo um erro lastimável. Breve haverá Deus de lhes mostrar Sua vingança, no tempo de Nossa Volta, e Ele, em absoluta verdade, para eles preparou, no mundo vindouro, um tormento severo.”
Quando O Báb se refere ao “verdadeiro José” significa Aquele que é atraiçoado por aqueles Lhe estão mais próximos, como ensina o relato bíblico sobre José que veio a ser atraiçoado pelos seus próprios irmãos.
Quanto à unidade dos Profetas diz:
“No tempo do primeiro Manifestante, a vontade Primaz apareceu em Adão; no dia de Noé; no dia de Abraão n‟Ele; e assim no dia de Moisés, no dia de Jesus, no dia de Maomé, o Apóstolo de Deus, no dia do “Ponto do Bayán”, no dia d‟Aquele que aparecerá depois d‟Aquele que Deus haverá de tornar manifesto. Daí o significado interior das palavras pronunciadas pelo Apóstolo de Deus: “Eu sou todos os Profetas”, pois aquilo que em cada um deles resplandece tem sido e para sempre continuará a ser um só e o mesmo Sol.”13
O Báb várias vezes se referiu a Bahá‟u‟lláh como “Aquele que haverá de tornar Manifesto”.
A crença nO Manifestante que precede o Anterior honra o antecedente, jamais poderá negá-Lo.
Na realidade, a primeira vez que os seguidores de uma religião seguiram quase todos o próximo Manifestante deu-se na Religião Bábi, quando a grande maioria dos Bábis reconheceu em Bahá‟u‟lláh O Prometido.

XIX. Escrituras Sagradas de Bahá‟u‟lláh
No que diz respeito às tribulações que os diferentes Mensageiros de Deus e Profetas têm sofrido desde Abraão até Si, Bahá‟u‟lláh afirma de forma inequívoca:
Louvores a Ti, ó Senhor Meu Deus, pelas revelações maravilhosas de Teu inescrutável decreto e pelas múltiplas angústias e tribulações que a Mim destinaste. Em um tempo às mãos de Nimrod me entregaste, em outro, permitiste que a vara do Faraó Me perseguisse. Somente Tu podes estimar, através de Teus conhecimentos que tudo abrangem e da operação de Tua vontade, as incalculáveis aflições que sofri em suas mãos. Em outra ocasião, Tu Me relegaste à cela de prisão dos ímpios, não sendo por isso outra razão, senão porque Me senti impelido a sussurrar, nos ouvidos dos favorecidos habitantes de Teu Reino, uma leve sugestão da visão com que Tu, através de Teu conhecimento, Me inspiraras, cuja significação, mediante a grandeza de Teu poder, Me havias revelado. Em outra ocasião, decretaste fosse eu decapitado pela espada do infiel. E ainda outra vez, fui crucificado por haver desvelado ante os olhos dos homens as jóias ocultas de Tua gloriosas Unidade, por lhes ter mostrado os sinais maravilhosos de Teu soberano e sempiterno poder. Quão amargas as humilhações amontoadas sobre Mim, em uma era subsequente, na planície de Karbilá! Quanto me senti solitário entre Teu povo! A que estado de desamparo fui Eu reduzido naquela Terra! Não se contendo com tais indignidades, Meus perseguidores degolaram-Me e levaram exposta a Minha cabeça de terra em terra, exibindo-a ante os olhos da multidão incrédula e depositando-a nos assentos dos perversos e infiéis. Em era ulterior fui suspenso, fazendo-se meu peito o alvo dos dardos da crueldade maliciosa de Meus inimigos. Meus membros foram crivados de balas e Meu corpo despedaçado. E, finalmente, neste Dia, vê como Meus inimigos traiçoeiros se coligaram contra Mim e ainda conspiraram, sem cessar, para instalar o veneno do ódio e da malícia nas almas de Teus servos. Intrigam, com todas as forças, paras alcançar seu objectivo…Por lastimável que seja Minha situação, ó Deus, Meu Bem-Amado, agradeço-Te, e Meu Espírito é grato por tudo o que Me tem sobrevindo no caminho de Teu beneplácito. Bem contente estou com aquilo que me ordenaste; de bom grado aceito as dores e tristezas que tenho de sofrer, por calamitosas que sejam.”14
Poderemos questionarmo-nos, porque terá permitido Deus que tudo tivesse acontecido?
Na realidade os Seus Profetas jamais vieram com toda a Sua Majestade desvelada, antes mostraram as limitações dos outros seres humanos, conforme atestado por Maomé.
O que aconteceria se toda a Sua Majestade fosse visível? Se os milagres se cumprissem conforme vontade dos homens?
É certo que a aceitação seria imediata, mas jamais meritória. O Homem seria pouco mais de uma marioneta sem vontade própria, para quem a recompensa ou punição divina não fariam sentido. A sua civilização não seria construída com o livro arbítrio, antes no assombramento de um poder imenso que não lhe tinha sido transmitido através do coração.
Assim, os líderes das diferentes religiões sempre se opuseram ao Prometido. No entanto, praticavam actos piedosos que há luz do julgamento dos homens eram louváveis. Mas eram actos aparentemente rectos porque a ignorância ou cobiça não lhes permitiu servir O seu Senhor quando Ele chegou. No lado oposto, homens simples como Pedro, foram capazes de reconhecê-Lo.
Oxalá possamos ser dignos de Sua criação e merecedores do livro arbítrio com que fomos contemplados.

Epílogo
Há uma tradição que se encontra na obra de Shaykh Ibu‟l-Arabí, e que é reconhecida como afirmação autêntica de Maomé: „Todos eles (Os companheiros do Qa‟im) serão trucidados, salvo Um só – Aquele que alcançará a planície de „Akká, o Salão dos Banquetes de Deus‟.
É em Akka (São João de Acre) que se encontra o Santuário de Bahá‟u‟lláh, o Grande Anúncio profetizado no Alcorão.
Na realidade, jamais Deus abandonou o Homem à sua mercê. As suas vãs fantasias é que o apartaram da Fonte Divina, conforme Bahá‟u‟lláh resume nas Palavras Ocultas todo o Convénio:
“Ó Filho do Ser!
Ama-me, a fim de que Eu te possa amar. Se não me amas de modo algum pode o Meu amor te atingir. Sabe disto , ó Servo!”17

Bibliografia
„Abdu‟l-Bahá, O Esplendor da Verdade. Editora Bahá‟í do Brasil. Rio de Janeiro, 1979 (4.ª edição)
„Abdu‟l-Bahá, Selection From the Writtings, Compiled by the Research Department of the Universal House of Justice, Bahá‟í World Centre Haifa, 1982.
Adib Taherzadeh, The Covenant of Bahá‟ulláh. George Ronald Publisher Limited 46 High Street, Kidlington, Oxford 1992
Bahá‟u‟lláh. As Palavras Ocultas. Editora Bahá‟í do Brasil. Rio de Janeiro 1985 (3.ª edição)
Bahá‟u‟lláh, O Livro da Certeza. Editora Bahá‟í do Brasil. Rio de Janeiro 1977 (2.ª edição)
Bahá‟u‟lláh, Selecção dos Escritos de Bahá‟u‟lláh, Editora Bahá‟í do Brasil. Rio de Janeiro 1977 (2.ª edição)
Bíblia Sagrada,
Comunidade Bahá’í do Brasil http://www.bahai.org.br/, 2005
Forward, Martin, Muhammad: A Short Biography. Oneworld Publications British Library, 1997
Maomé. Alcorão. Edições Europa-América, 1985
Moomen, Moojan. An Introduction to Shi‟i Islam, George Ronald Oxford,1985
Motlagh, Hushidar. I Shall Come gain. Global Perspective Mt. Pleasant, Michigan, 1992
Mustafá, Muhammad. Bahá‟u‟lláh, The Great Annoucement of the Qur‟an, Bahá‟í Publishing Trust, Dhaka, Bangladesh, 1993
O Báb, Selecção dos Escritos do Báb, Compilado pelo Departamento de Pesquisa da Casa Universal de Justiça, Editora Bahá‟í do Brasil. Rio de Janeiro 1978
Townshend, George M. A., Cristo e Bahá‟u‟lláh. Editora Bahá‟í do Brasil. Rio de Janeiro 1976

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2 Comments Add yours

  1. Rafit says:

    maomé disse que o allah islâmico era o maior enganador

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